A pesquisa/Teatro&Literatura


“ quisermos ser funcionalmente verdadeiros e não nos tornarmos mumbavas inermes e bobos da corte(...) temos de adotar os princípios da arte-ação”. Mario de Andrade

Do fim para o Começo - Um gesto reflexivo Sócio/poético
Com todo e qualquer tipo de sorte e/ou az(ar), que se é ou foi possível respirar nas esquinas das  c(idades) brasileiras e sendo um cidadão(ã)/Negro na pele ou em ideologia é que desejamos investigar e revelar através de expediente épicos do Teatro de Revista o projeto "Cia dos Inventivos em Revista! 10 anos de (r)existência nas ruas". Quando nos jogamos em um mergulho profundo no universo de João Ubaldo Ribeiro, através da pesquisa “Viva o Povo Brasileiro”, boa parte subsidiada pela “LEI DE FOMENTO PARA A CIDADE DE SÃO PAULO”, não tínhamos a real consciência ou a dimensão de que esta investigação mudaria nossas vidas e nossa maneira de olhar e interagir com o mundo do qual fazemos parte e somos sujeitos transformadores. Muitas conquistas foram contabilizadas desde o começo da Trilogia Inventiva
Adotar princípios de “Arte-Ação” talvez tenha sido nosso primeiro impulso, porque não poderíamos ficar estáticos diante do fato imediato de que fazíamos parte de uma classe operaria historicamente massacrada, roubada e subjugada. Entendíamos que teoricamente e esteticamente precisávamos ser agentes, artistas e transformadores e durante os seis anos que seguimos percebendo diariamente a nós, nosso povo, e nossas contradições, é que descobríamos a importância da “Arte-Ação” proposta por Mario e por tantos outros.
A teoria integrada à pratica, ou seja, a Práxis e a Coletividade foi, incontestavelmente para nós dos Inventivos, importante para a elaboração de uma prática teatral Popular-Performática em que o ator é sujeito elaborador de sua obra. Os expedientes Épicos e de Variedades que foram fundamentais para a montagem de “Azar do Valdemar”, último espetáculo da Cia dos Inventivos, são o fundamento-alicerce para a continuidade e aprofundamento de nossa pesquisa e sobretudo à nossa maneira estética de refletir-compartilhar com nosso público passante da rua, seja em qual esquina o encontro acontecer.
 Intuímos que o Teatro de Revista é uma obra performática por excelência, pois tem em si uma partitura mais ou menos composta e tende a ser realizada a partir da intervenção do público com a obra para que ela se complete, ou seja, é uma obra relacional por excelência. O Teatro de Revista e seus expedientes estéticos somados a literatura contemporânea, tendo em vista o enorme prazer e aprendizado que foi ter mergulhado no universo do João Ubaldo Ribeiro através da sua obra “Viva o Povo Brasileiro”, são matérias importantes e fundamentais para uma pesquisa que tem como objetivo princípios de “Arte-Ação”.
Como em nosso último trabalho investigamos o Teatro de Variedades, aproximamo-nos de quadros épicos e populares. E agora durante as apresentações de “Azar de Valdemar” e também durante os ensaios gerais percebemos que as historias em quadros, as cores, o riso característico desta linguagem traz para a cena um expectador curioso para a narrativa, talvez porque o convide de forma mais eficaz ou tomem de assalto o expectador  para a  reflexão proposta pela Cia.

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