sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Ministério da Cultura sob ameaça de extinção!



Nesta quinta-feira (3), o ministro do Planejamento Nelson Barbosa juntamente com o ministro da Fazenda Joaquim Levy, em nota no jornal O Globo, propôs o corte de 15 ministérios para reduzir gastos do Governo, entre os quais o Ministério da Cultura. A Cooperativa Paulista de Teatro vem manifestar seu completo repúdio ao corte da pasta. É inadmissível que o MinC desapareça.
A atual política de cultura federal está longe de dar conta da abrangência nacional, mas esta pasta ainda representa o único espaço onde os trabalhadores da Arte e da Cultura podem reivindicar suas pautas. É hoje o único espaço oficial possível da disputa do pensamento, da reflexão e do simbólico.
Fechar o MinC hoje seria abandonar a cultura tradicional indígena, quilombola, dos povos de terreiro, de matrizes africanas, do Circo - que apenas nos últimos 10 anos conseguiram alguma representação junto aos poderes públicos. Seria abandonar os artistas, fazedores e pesquisadores de Teatro, Dança, Artes Visuais, Cinema, Hip Hop, além de todas as linguagens embrionárias advindas da relação contemporânea entre tecnologia e Arte. Seria abandonar a construção cotidiana da subjetividade dos brasileiros.
O fechamento dessa pasta significa um retrocesso inigualável no país, pois mais uma vez a Cultura está sendo tratada como ação supérflua - o que é inconcebível na agenda de um governo que se define progressista.
É possível que esse ato signifique o desfecho de uma ação maior que vem aos poucos se desenhando, agora conseguimos compreender o porquê do ministro Juca Ferreira não ter conseguido reverter o grosseiro corte no orçamento da pasta neste início de gestão. Certamente já havia o interesse de enfraquecimento do Ministério por parte da ala conservadora do Governo.
Em pleno século XXI, diante da conjuntura política e social do nosso país - onde forças reacionárias ganham cada vez mais visibilidade e poder -, fechar o Ministério da Cultura é assumir um discurso não apenas conservador, mas fascista, que enxerga a identidade de um povo, sua multiplicidade cultural e a própria individualidade do cidadão como mercadoria, que pode a qualquer tempo ser cortada como se fosse moeda de troca dos governos de plantão.
Nossa luta nunca foi fácil. Continuaremos aqui, na resistência contra aqueles que não compreendem a dimensão de uma Cultura que busca antes de tudo a construção e a cidadania de um povo. Seguiremos na resistência, nos movimentando e brigando contra as pautas e agendas retrógradas, que insistem em nos apagar da História.
EVOÉ!


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