segunda-feira, 19 de maio de 2014

Fernando Alabê sobre as estréias dos espetáculos {Entre} e Azar do Valdemar.

É POUCO PRA NÓS!!!

Estamos vivos COMEMOREMOS!!!! VIVOS,CRIATIVOS E PRODUTIVOS!!!!
Só o fato de estarmos lendo isso já nos faz crer na afirmação porém sendo tanto eu, quem vos escreve e anuncia, quanto a maioria deste país, negros é sempre uma vitória anunciar tal condição, pois ser negro no Brasil é muito perigoso ouvi isso estes dias e concordei com a frase.
Alvo de bananas, balas, e sumiços oficiosos por braços oficiais e da ignorância, haja visto Amarildos, Cláudias e Flávios Santana, escapar das estatísticas e mais ainda promover novas estatísticas ora positivas é um soldo que supera o quinhão relegado à nossa maioria.
Diante do que vi este mês dentro de meu circulo familiar e de amigos, onde atores estréiam três espetáculos no mesmo mês, caso Flávio Rodrigues, dramaturgo estréia dois potentes e sensíveis textos às nossas questões para além da cor, mas de olhos na história, legado e buscas, caso Jé Oliveira, surge uma nova, sensível e potente e conciliadora direção, casos Raphael Garcia e Aysha Nascimento, que toma forma pelos gestos e falas de mais dois corpos pulsantes e criativos negros, casos Thais Dias e Jefferson Matias, caso Viviane, prima minha que ocupa cargo em multinacional e que está de férias na Suiça, caso Linda Marx, amiga advogada, mestre em lingüística pela Sourbone, meu caso também assinando a terceira direção musical, com o agravante de ser percussionista e educador, minha esposa Luciana Lima, gestora de RH e professora universitária, caso Mara, minha prima, mãe de quatro filhas se formando em Direito, caso Paula Sidéria, minha tia advogada de carteirinha da OAB.
Casos em andamento e voamento, pois podemos sim voar quando criamos e amamos o que fazemos e mais ainda quando o que fazemos questiona o que somos e como estamos e questiona e aponta e busca mudar onde estamos pelo que realmente somos, Coletivo Negro, negro para muito além do fenótipo, para o futuro, tendo o passado como alcerce e este fazer como rumo, por isso por favor {ENTRE}, nossos caso não estão encerrados e há muita história pra contar.
Histórias nossas de superação sem pieguice, mas de um jeito de café na cozinha da avó.
Falando em avós, devo muito aos meus, Antônio Camilo, Teresa Cesarina Camilo, Nair Brás Olimpio David e Waldemar David, dois se foram pelo tempo, os paternos, Nair e Waldemar, dois aqui estão nos servindo de exemplo de trabalho, abnegação, luta e amor. Minha avó paterna, tive contato apenas até um ano de idade, mas sua lembrança é de bondade e tudo o que uma avó representa. Já meu avô Waldemar David, representa na minha memória o homem duro, rude, pela vida, saiu de casa aos dez anos de idade e quando jovem foi pra guerra, pracinha na Segunda Guerra mundial, voltou e se fez, até por isso estou aqui.
Daí, falando em Waldemar, ontem assisti o espetáculo da Cia dos Inventivos Azar do Valdemar, onde o Marcos Di Ferreira, amigo nosso, é ator, a Aysha Nascimento é atriz, estreando dois espetáculos no mesmo mês e o Flávio Rodrigues é ator também, este voraz, estreando TRÊS espetáculos no mesmo mês e o Jé Oliveira, neste projeto é o dramaturgo também, dois textos no mesmo mês, todos pretos, tratando do sumiço de quem é pobre e sonha, de quem é preto ou não e quer viver de seu sonho feito de tijolos, pão e alegrias, de música, de cores, em fim, o Valdemar sumiu, voltando aos pedaços pela mídia, pelo estado, pelos processos pelos casos encerrados, arquivados, só por que queria viver, foi cedo. Cedo demais como quem vai pra guerra, mas nós assim como Amarildo, Flávio Ferreira Santana, Cláudia, não saímos pra guerra como meu avo Waldemar, com dáblio, foi e voltou, ao contrario destes TRÊS e outros tantos a cada dia, estamos indo trabalhar, estudar, no mercado, em fim, estamos e queremos continuar vivos e em paz com os livros, com o estômago, com os sonhos assim como qualquer outro nos Jardins, Copacabana, Heliópolis, Maré, Mauá, vila Prudente, São Judas, Bela Vista, Butantã, Santa Cecília, Tremembé, estamos vivos e em curso sem permissão de pouso nem decolagem, pois o comando é nosso, como tem que ser e cá estamos como anunciado lá no início, ViVOS, CRIATIVOS E PRODUTIVOS, pelo o que agradeço a meus Orisás e Ancestrais e REAFIRMO, É POUCO PRA NÓS!!!!!


Fernando Alabê 

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