terça-feira, 20 de setembro de 2011

Projeto de Lei 1096/11, artistas de rua‏

Projeto de Lei 1096/11, do deputado Vicente Candido (PT-SP), em análise na Câmara dos Deputados, equipara, para fins legais, a arte de rua a todas as outras modalidades artísticas, e proíbe autoridades federais, estaduais e municipais de estabelecer qualquer tipo de cerceamento da atividade dos artistas que trabalham em cruzamentos ou semáforos.

Segundo a proposta, o artista de rua é livre para pedir e receber contribuição espontânea de transeuntes e também pode vestir roupas com mensagem comercial de empresas patrocinadoras do seu trabalho.

O texto também estabelece normas gerais sobre a cultura e suas modalidades de manifestação, obedecendo ao item constitucional que determina que lei federal estabelecerá regras gerais para o setor, com o objetivo de evitar o tratamento diferenciado do assunto em diferentes localidades no país.

Segundo o projeto, o termo cultura abrange as manifestações artísticas em geral, realizadas em espaço fechado ou aberto, privado ou público, em veículo aberto ou nas ruas e praças públicas, com ingresso pago, gratuito ou com remuneração espontânea ao artista a título de doação após ou durante a encenação. Integram a categoria as artes cênicas, circenses, marciais e plásticas, as apresentações musicais, a dança, as lutas de exibição, a poesia e as manifestações de artistas de rua, que não poderão ser censuradas pelas autoridades públicas.

O projeto assegura ainda aos artistas o direito de reunião pacífica, a liberdade de associação para fins lícitos e a constituição de cooperativas, independentemente de autorização e vedada a interferência estatal no seu funcionamento.

A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias

De 25 para 90 milhões - Vamos aumentar os recursos do ProaC para 2012

Dia 28 às 14:00 na Assembléia Legislativa de São Paulo, haverá uma Audiência Pública convocada pela Comissão de Educação e Cultura para debater a equiparação dos recursos destinados à renuncia fiscal com os editais do ProaC. Este ano foram destinados 93 milhões para o ProaC ICMS e 25 milhões para os editais. Queremos uma emenda da Comissão que corrija esta disparidade no orçamento da Secretaria Estadual de Cultura em 2012, aplicando os mesmos montantes de recursos para as duas modalidades de Financiamento Público para a Cultura.



Todos à Audiência Pública!!

Por um debate transparente sobre os recursos destinados à Cultura!!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

São José dos Campos - FESTIVALE/2011 - crítica por Alexandre Mate

CANTEIRO: UMA OBRA DE TEATRALIDADE INFINDA CRIADA EM BANDO
Por Alexandre Mate

Nas chamadas histórias do teatro, as experiências que ganham estatuto documental são aquelas que correspondem a certo tipo de teatro, antenado e interessante aos detentores do poder da vez. De fato, não há uma história do teatro, o que existe documentado – seja majoritariamente com relação à dramaturgia, concernente à encenação, a movimentos estéticos etc – restringe-se a uma diminuta parte das práticas teatrais. Pouquíssima coisa existe sobre teatro popular, mas quase nada acerca de teatro de rua. Acerca de teatro épico-popular de rua, essa história ainda engatinha, mas não por ausência de obras, que têm aumentado, felizmente, dia-a-dia.
Teatro de rua, que sempre existiu, tem vocação popular, e vem sendo praticado por gente barrada “nos bailes” desde sempre. O que motivou certo tipo de artista, desde a Antiguidade clássica grega, a buscar os espaços públicos, seguramente, foi sua expulsão dos espaços oficiais. Os poderosos costumam não gostar de gente de faz não leva as coisas a serio, que faz chacota dos ricos, que apresenta seus próprios pontos de vista acerca dos acontecimentos oficiais.
Sete de Setembro transformou-se em data oficial da História do Brasil. Nesse dia, e desde Sete de Setembro de 1822, o Brasil independeu-se de Portugal, ou seja, do primeiro país invasor... Verdade que outras independências esperam ou precisam ainda ser feitas, mas como se dizia por meio de ditado popular: Calma que o Brasil é nosso! Nosso... exatamente de quem?
No teatro de rua, as datas oficiais não costumam ser comemoradas; ao contrário, a chamada “memória construída pelo alto” (a oficial) é sempre passível de chiste e de gozação. A rua também não pode ser “invadida” por qualquer obra, na maior parte do Brasil, para apresentar teatro de rua, é preciso pedir autorização. As comemorações de Sete de Setembro não precisam de autorização: a data faz parte do calendário oficial das cidades...
Muitos são os paradoxos da vida social.
Em sete de setembro de 2011, por volta das 11h da manhã, a Rua XV de Novembro, em São José dos Campos, foi transformada em passarela. Pela rua, infindos cidadãos: convidados ou intimados, patriotas ou alienados, crédulos ou incrédulos, conhecedores ou não da data, sempre em coro, desfilavam pela via pública. Nas calçadas, palmas e protestos; faixas a favor da Independência e faixas contra uma série de coisas, sobretudo contra a corrupção... A via pública é o espaço de contrastes. No citado Sete de Setembro, muita gente-em-desfile, momento de espetacularização. De vendedores e de compradores; de fanáticos emocionados e passantes distraídos; de pregões e de pregadores... tudo misturado: loas à data e críticas ao poder.... tudo misturado. A rua é o lugar das misturas.
Exatamente, quase no meio dessa misturação toda, na bela Praça Afonso Pena (difícil não perceber a beleza desta praça), Os Inventivos (SP) esperam a festa oficial terminar para fazerem a sua festa! Selecionados para a 26ª edição do Festivale – Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba, os cinco integrantes do grupo, exatamente, às 11h30 dão início ao espetáculo. O miolo da praça vazia, logo lota, sobretudo de crianças.
Em cena, 3 trabalhadores, no começo da hora do almoço, e tendo como maestro o excelente Rômulo Albuquerque (diretor musical do espetáculo) apresentam o prólogo do espetáculo, fazendo música com instrumentos inusitados: “hermetismos paschoais”, como afirmou Caetano Veloso em inspirado momento de criação. Logo chega a marmiteira (vendedora de quentinhas). Então, por que não contar histórias na hora do almoço, indaga um dos trabalhadores.
Canteiro é o nome dado pelo grupo paulistano à primeira parte da trilogia que toma como mote a magistral obra de João Ubaldo Ribeiro Viva o povo brasileiro; a obra de João Ubaldo apresenta mais de 300 anos de história, cujas ações acontecem em diversos locais da Bahia. Dirigido democrática e criativamente por Edgar Castro, o grupo apresenta em Canteiro o ponto de vista do povo, no caso específico, dos trabalhadores migrantes, sendo a que a indagação que motiva esses trabalhadores-personagens é: Quem escolhe o que come?
À indagação, um dos trabalhadores afirma que o caboco Capiroba sabia o que comer, por conta de sua condição de aborígene, ele comia até gente... Inicia-se, assim a narrativa do espetáculo. Múltiplas são as personagens trazidas do livro para a cena de rua: barão e mulher, orixás, pescadores, estrangeiros, lideres revolucionários, aborígenes... As personagens de João Ubaldo ganham a cena de rua e, por conta de sua transposição para o popular, muitas são as ambiguidades em torno do comer. Talvez, e aqui vai uma sugestão ao grupo, quando o espetáculo tem tantas crianças como público – e por maior que se imagine serem os danos e exageros, nesse particular, da indústria cultural – é imperioso, para viabilizar a troca de experiência, trabalhar mais com as atitudes do que propriamente com os óbvios.
Espetáculo absolutamente interativo no qual os atores sabem jogar com os espectadores. Muita participação dos mais de 200 espectadores que, na maior parte do tempo, assistiram ao espetáculo. Um coro de crianças destacou-se do conjunto, tendo como corifeu uma dessas crianças, que contestava todas as injustiças que tentavam ser impostas pelas personagens perversas da obra. O corifeu insistia, contrariando alguma imposição de autoridade que comeria quantas vezes quisesse e que não era escravo. No concernente à participação e interatividade alcançada pela obra, o maior de todos os destaques são os atores. Aysha Nascimento, Flávio Rodrigues (magistral na apresentação aqui analisada), Marcos di Ferreira, Mayumi, além de atores-criadores, regem, arranjam e animam com amplo domínio de seu fazer e de sua tarefa de artistas.
Atendo-se à questão das injustiças e da fome permanente, há momentos antológicos na obra. Um deles concerne aos processos de embranquecimento decorrente da miscigenação não consentida ocorrida no Brasil. Portugueses e outros europeus violentavam as mulheres negras, simplesmente isso! Hoje, decorrente de ideologia perversa, é incontável o número de mulheres que alisam o cabelo para, talvez, serem aceitas... Depois de uma das personagens tentar alisar o cabelo de sua enteada, sem tanto sucesso, conclui o ator: “Quem não aceita o cabelo que tem, também come apenas o que lhe é imposto.”
O espaço de representação é quase uma arena, nela, entretanto, “dominando a cena”, e em sentido vertical, uma grande traquitana (nome dado a um adereço de múltiplas funções, serve como púlpito, patíbulo, prisão, espaço de representação e de sevícia, camarote, barco, palco, tribuna.
Como o espetáculo apresentado no dia anterior – Ser Tão Ser: Narrativas da Outra Margem –, Canteiro também termina com uma indagação coletiva: “Como se faz justiça hoje?!” Assim, aos Ioiôs da atualidade se recomenda: Acordar às 4h30 da manhã e tomar o ônibus lotado; colocar o único filho em escola pública para estudar; se sustentar com um salário mínimo...
Estou convencido de que algumas pessoas que assistiram ao espetáculo na Praça Afonso Pena, sobretudo ao pequeno-grande corifeu, cujo nome não me foi possível saber, viverá todos os Sete de Setembro com uma outra consciência a ser conquistada.

Dolores volta em Outubro com "A Saga do Menino Diamante - Uma Ópera Periférica" -



O espetáculo A Saga do Menino Diamante – Uma ópera periférica apresenta 32 trabalhadores artistas que formam um cortejo cênico-poético-musical e convidam o público para uma jornada épica em busca da aventura humana. Durante percurso cênico de 1h40 o grupo mostra uma somatória de experiências sociais, onde nós, indivíduos em relação, não nos percebemos como construtores da cidade, da sociedade e da vida que nos cerca.

Após o 1° ato, o público pode degustar um caldo quentinho preparado em cena. Receber pessoas com comida faz parte da história do grupo. Em seguida, uma Festa até as 4h garante boas conversas sobre arte, cultura, urbanidade, sociedade, periferia.

Sendo espetáculo a céu aberto é cancela do quando chove. A dica é, se possível, não deixar para ir na última apresentação, 29 de outubro, para não correr o risco de ficar sem.

Nascido da experiência itinerante pelo bairro e espaços não convencionais para o teatro, em seus 11 anos o coletivo Dolores reúne na bagagem um histórico de saraus nas casas dos vizinhos, pilhérias e festas em praças, espetáculos em salas de aulas e o desenvolvimento de novas estéticas - como a arena arbórea e teatro mutirão. Hoje os artistas se espalham em núcleos de pesquisa, discutem e experimentam temas como O direito a preguiça, Erotismo e Periferia e Narrativas na cozinha.

Todas as atividades desenvolvidas pelo grupo são gratuitas.

Para saber mais sobre o Dolores navegue pelo blog e suas curiosidades ou no Facebook. Nas periferias da metrópole há mais arte e luta pulsando do que se poderia imaginar.


“A saga do menino diamante – Uma Ópera Periférica

De 08 a 29 de outubro, aos sábados, às 22h. Logo após tem Festa, até às 4h – TUDO GRÁTIS.

Local: Rua Frederico Brotero, 60 – Cidade Patriarca – Zona Leste – São Paulo

(Ao lado do posto de saúde, 10 minutos a pé do Metrô Patriarca)

Em Outubro Os Inventivos apresentam "ensaios de assalto" do novo espetáculo "BANDIDO É QUEM ANDA EM BANDO" Aguardem!







FOTOS - MANU MUNIZ

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Dia 7 de Setembro Os Inventivos estarão no "26ª Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba" em São José dos Campos



Companhia dos Inventivos
Canteiro
Direção:Edgar Castro / Orientação da Pesquisa:Alexandre Mate


Dia: 07
Hora: 11h
Local: Praça Afonso Pena
Espetáculo: Canteiro

Dia: 07
Hora: 15h
Local: Parque da Cidade
Espetáculo: Canteiro


Em 26 edições, esta é a primeira vez que o Festivale, realizado pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo, está com tantas atividades, 123 ao todo, e espalhadas por tantos lugares, 41 espaços entre ruas, praças, parques, teatros, bibliotecas, espaços culturais, escolas e em outros ambientes, como ônibus e carretas que se transformam em palco. Um dos maiores festivais de teatro do país, começa na próxima quinta-feira, dia 1º, e termina dia 11, com uma grande variedade de espetáculos teatrais - para todos os gostos e idades - além da capacitação de profissionais da área.

A capacitação dos atores começa no dia 3 e segue até o dia 11, com debates, workshops e oficinas, uma delas, inclusive, com o grande dramaturgo Chico de Assis, do antigo Teatro de Arena.

A 26ª edição do Festivale teve como foco principal o teatro de rua. A grande maioria do espetáculos acontece em ruas, praças e parques. Além deles, o documentário cênico Luiz Antonio - Gabriela, indicado a cinco prêmios Shell, que abre o festival, promete ser uma das grandes atrações deste festival, ao lado de O amor e outros estranhos rumores, com a atriz Débora Falabella e também do Sacra Folia, que encerra o festival, numa enorme carreta que só a sua montagem, já é um espetáculo à parte.

Exposições – Durante o 26º Festivale, a FCCR realiza, no Centro de Estudos Teatrais (CET), a exposição Memória do Teatro Joseense. A mostra contará com uma cervo de fotos, cartazes, troféus, matérias de jornais e documentos que sintetizam parte da trajetória de pessoas, grupos e companhias que pautam a história do teatro joseense. Já no Centro Cultural Clemnte Gomes, de 1º a 30 de setembro, em parceria com o Ministério da Cultura, será montada a exposição Lélia Abramo 100 anos, que traz 75 imagens e documentos, que contam a retrospectiva da vida de Abramo.

Inscrições para atividades: Todas as oficinas, palestras e workshops são gratuitos. , mas os interessados devem realizar inscrição, antecipadamente, até um dia antes da realização da mesma, na Secretaria Geral da FCCR, de segunda a sexta-feira das 8h às 17h,. Apos esse horário, as inscrições devem ser realizadas na Secretaria do Centro Cultural Clemente Gomes, que fica na sede da FCCR.

Ingressos – Na programação, haverá apresentações com entrada franca, outras com ingressos no valor de R$10 a R$ 30, que podem ser adquiridos pelo site www.bilheteria.com, ou no setor Financeiro, da FCCR, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Estudantes e idosos acima de 65 anos, pagam meia entrada.


Para a realização do 26º Festivale, a FCCR contou com o apoio dos parceiros: Rádio Band Vale, Rádio Nativa, Rádio Stereo Vale, TV Vanguarda, Comgás, Revista Valeparaibano, Jornal O Vale, Dan Inn Hotel, CCR Nova Dutra, Votorantim, Sesi, Sesc SP, Uniforja, Nagumo Supermercado e Cooperativa Paulista de Tetaro. O apoio para a realização deste evento, vem do Projeto Adhemar Guerra, Poiesis Organização Social de Cultura, Radici Group, Funarte, Oficinas Culturais, Proac, Governo do Estado de São Paulo, Ministério da Cultura e WCA Serviços Empresariais.

Assessora de Comunicação
Fundação Cultural Cassiano Ricardo