segunda-feira, 9 de maio de 2011

Carta Capital - trecho da edição de Abril sobre o Teatro de rua.

Teatro de rua resiste nas grandes cidades

Geralmente sem contar com incentivos governamentais, vários grupos atuam em espaços públicos, debatem questões sociais e levam a arte para as comunidades.

Por Paula Salati

Pelos asfaltos, praças e parques das cidades brasileiras ocorre uma das mais antigas manifestações populares do mundo: o teatro de rua. Marcados por uma diversificada produção de dramaturgia e estética, um dos elementos que unifica a existência da maioria dos grupos de teatro de rua é a opção política que realizam no campo das artes. Ir para as ruas e para os espaços públicos e gratuitos não significa falta de alternativa e espaço nas grandes salas comerciais de espetáculos. Na verdade, é uma escolha de artistas que decidiram caminhar na contramão da mercantilização da arte e fazer da rua um espaço mais democrático.

Adailton Alves, ator do grupo Buraco D’Oráculo – coletivo teatral que há nove anos atua e vive em São Miguel Paulista, leste da cidade de São Paulo – considera que o teatro de rua é capaz de modificar o espaço da cidade. “Em uma sociedade capitalista, a rua serve para escoar mercadoria e mão de obra. E quando você se coloca nesse espaço, você desorganiza isso. De transeunte, a pessoa se torna assistente de uma obra teatral e, neste momento, há uma troca simbólica entre artista e público”, diz Adailton.

O ator conta que, em uma das apresentações do espetáculo Ser TÃO Ser, Narrativas de Outras Margens – peça do grupo que fala sobre a habitação nas periferias –, um morador de rua entrou em cena desesperado para socorrer a atriz Lú Coelho, que encenava a morte de uma mulher em um confronto policial, ocorrido em uma ocupação de moradia. O teatro de rua faz com que o indivíduo “passe a ser solicitado, ele não é rechaçado. Para as outras coisas da vida, ele precisa pedir licença e concessão”, declara Alexandre Mate, pesquisador de teatro e professor do Instituto de Artes da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP).

Cultura Popular

Mais do que levar arte à população das cidades e das periferias, muitos grupos de teatro de rua constroem os seus textos e sua estética a partir de elementos da tradição popular e regional do local em que atuam. O grupo sergipano Imbuaça, por exemplo, desde a sua fundação, em 1977, tem como principal objeto de pesquisa a cultura popular. “No nosso repertório, sempre temos espetáculos cuja dramaturgia é inspirada nos folhetos de Cordel”, conta Lindolfo Amaral, um dos diretores do grupo que tem sede no bairro de Santo Antônio, em Aracaju.

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