domingo, 20 de novembro de 2011

"BANDIDO É QUEM ANDA EM BANDO" novo espetáculo de rua.



“BANDIDO É QUEM ANDA EM BANDO” Cia dos Inventivos

Quando: 21 de Novembro/2011
Onde: Pátio do Colégio - centro - São Paulo/SP
horário:11hs

Quando: 23 de Novembro/2011
Onde: Largo São Bento - centro - São Paulo/SP
horário:10hs

"Ocupação Artística dos Espaços Públicos"

É fundamental a presença de todos e a maior divulgação possível, pois este seminário servirá para divulgar e, principalmente, demonstrar o apoio da categoria e da população ao Projeto de Lei Municipal 489/2011, que trata da liberdade de expressão artística dos artistas de rua. Esse projeto de lei tem como objetivo ampliar e reforçar de forma definitiva o decreto assinado por Kassab em junho, que era um tanto limitado e, mais importante, temporário.

Das 13h30 às 18h - Câmara Municipal de São paulo

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Crítica de Kiko Rieser sobre o espetáculo "Canteiro" durante 2ª Mostra Olho da Rua - 11 a 13 de Fevereiro de 2011 - Santos/SP

edição nº01/julho 2011 / 2ªMostra Olho da Rua

Uma mostra que evidencia muito

Kiko Rieser

Mostras de teatro, em geral, mais do que permitir que diversos espetáculos se tornem acessíveis a determinado público (e, costumeiramente, muitos trabalhos vêm de outros estados e, às vezes, até de outros países), permitem que se trace um panorama de determinado segmento ou linguagem, pois uma boa curadoria agrupa trabalhos que têm entre si alguma relação formal ou temática. A 2ª Mostra de Teatro Olho da Rua, organizada pela Trupe Olho da Rua, vem evidenciar as similaridades entre os grupos, que têm em comum não só elementos de composição da cena, mas também modo de produção e assuntos abordados. Talvez tamanha semelhança entre as dez montagens apresentadas responda a uma pergunta feita durante um dos debates da mostra: teatro de rua é linguagem? As interpretações arquetípicas, épicas e de gestos grandes para competir com a prolixidade visual da rua; o uso intenso da música executada ao vivo; a alusão ou mesmo vivificação de mitos e lendas populares; o humor; a interação com o público; todos estes elementos estão presentes na totalidade dos espetáculos apresentados. Em quase todos, dramaturgia colaborativa e temas explicitamente políticos, parodiando ou radiografando a macroestrutura social.

CRÍTICA DO ESPETACULO "CANTEIRO"

O primeiro espetáculo apresentado na mostra, Canteiro, da Cia dos Inventivos (de São Paulo), já apresenta o caráter fortemente político como pedra fundamental que pressupõe o direcionamento a um público pertencente a uma classe social historicamente explorada. Primeira parte de uma trilogia livremente inspirada na obra Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro, a dramaturgia colaborativa com finalização de Daniela Rosa contempla a fatia do livro dedicada aos “comedores de restos” (as outras duas, abarcadas nos futuros espetáculos da trilogia, são os “comedores de oferendas” – deuses – e os “vampiros” – exploradores da mão-de-obra alheia). O texto é formado basicamente por quatro histórias que não se interseccionam, mas fazem parte do mesmo campo ficcional, pois são compartilhadas por quatro operários de construção que, durante o almoço, se vêem fartos de comer sempre a mesma marmita e então se lançam a pergunta: quem escolhe o que come?
Ao contar uns aos outros lendas populares abrangendo o tema, eles se intrometem na narrativa alheia, chegando mesmo a mudar o final como lhes convém. Passam a “bola” a outros narradores, delegam-se personagens, param para cantar quando precisam descontrair e mantêm o tempo todo o caráter de jogo, acentuado pela direção de Edgar Castro. Não se sentem presos à reconstituição fiel dos fatos, pois, mesmo inconscientemente, acreditam no seu poder de fazerem eles mesmos – o povo – a História, e de absorvê-la da melhor forma que lhes cabe, corrigindo em alguma medida uma falha apontada por uma personagem da peça: “herói do povo não tem nome em avenida, nem estátua”. Portanto, o espetáculo mostra, àqueles que acreditam que fazer a História é privilégio dos poderosos, que todos podem mudar o curso do que já está instituído. Deste modo, os personagens da peça permitem-se uma exaltação popular quando invertem os heróis, como no caso (também contado pelos operários) de Nêgo Leléu, capoeirista negro que vinga a morte da mãe biológica de sua filha de criação (que finalmente tinha podido escolher o que comer, quando aprendeu a pescar), assassinada covardemente por brancos. Entretanto, não há simplismos nessa dramaturgia, e logo em seguida é colocada em questão a noção de justiça pelas próprias mãos. Como as resoluções de problemas complexos são construídas a longo prazo, apenas no fim da quarta e última história se vislumbra, em uma canção, uma noção plausível de justiça para os exploradores: pegar ônibus lotado às 5h, pôr filho na escola pública, ganhar um salário mínimo, ficar na fila do SUS, etc. Não coincidentemente, são soluções similares a um projeto de lei (obviamente, nunca aprovado) do senador brasiliense Cristovam Buarque – que obrigaria os políticos a matricularem todos seus filhos em escola pública – e parecem ser a única saída possível (e justa) para o universo retratado. Mais do que punição, trata-se de igualdade de oportunidades. Um horizonte possível, numa peça que exalta o povo, mas não ilude ninguém, e acaba sem nenhum pobre escolhendo o que comer, tal e qual nossa realidade.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Monólogo com Eduardo Okamoto sobre a chacina da Candelária em cartaz no Sesc Pompéia "Agora e na Hora de Nossa Hora"



Pedrinha é um sobrevivente da Chacina da Candelária: escondido sobre a banca de jornal, ele assistiu ao assassinato de oito meninos de rua. Ao narrar os acontecimentos da madrugada, Pedrinha revela uma sociedade que nega até a morte os meninos de rua!

“Agora e na hora de nossa hora” coloca no centro da cena a “cidade invisível”. Todos os dias passamos por ela, mas não a percebemos. Nessa cidade, vivem meninos de rua e também mal os notamos.

A cena recria o cotidiano de um desses meninos: um sobrevivente que luta, ama, se esconde, fuma crack, vive. A trajetória de Pedrinha se desenrola de maneira delicada, poética, acompanhada de viola erudita.

Ainda que encene um acontecimento histórico, o espetáculo não se restringe ao documentário. A pesquisa incluiu a observação de meninos de rua em Campinas, Rio de Janeiro e São Paulo e a inspiração em “Macário”, conto de Juan Rulfo. A nossa estória muda a história na busca de que um dia, ela não mais se repita.

Acompanha o espetáculo uma exposição de desenhos e fotos do processo de criação, iniciado com a realização de oficinas de arte com meninos de rua do projeto “Gepeto”, em Campinas. O projeto é descrito no livro “Hora de nossa hora”, de Eduardo Okamoto (Editora HUcitec, 2007).

Por sua atuação, Eduardo Okamoto recebeu diversos prêmios, incluindo o de Melhor Interpretação Masculina, no Festival Intercanional de Expressão Corporal, Teatro e Dança de Agadir, no Marrocos.

O espetáculo acontece entre os dias 21 de outubro e 27 de novembro, às sextas, sábados (21h) e domingos (19h). A entrada para a atração custa R$ 12.

domingo, 9 de outubro de 2011

Corte na Verba da Cultura para 2012 - Audiência do ciclo de debates do orçamento 2012 na Câmara Municipal

Audiência de abertura do ciclo de debates do orçamento 2012 na Câmara Municipal

Obtivemos a informação de que o orçamento da SMC pra 2012 sofreu um corte da ordem de 20% afetando a maioria dos programas da Secretaria de Cultura, incluindo o VAI e o FOMENTO, a tarefa de cada área no momento é fazer as contas pra saber o que deve ser investido de fato em 2012.

PAUTA:

- Convocação de sessão ordinária no dia 11 de outubro (terça-feira) às 15h para apresentação da consulta "você no parlamento". a ser realizada no recinto do plenário 1º de maio.

- Audiência de abertura do ciclo de debates do orçamento 2012. dia 13 de outubro (quinta-feira), 15h, no recinto do plenário 1º de maio.

Tudo isso está explicado no diário oficial de (06/10).

http://www.imprensaoficial.com.br/PortalIO/DO/BuscaDO2001Documento_11_4.aspx?link=/2011/diario%2520oficial%2520cidade%2520de%2520sao%2520paulo/outubro/06/pag_0228_3BURFJ9G0PAA3eCM2EB7DKON249.pdf&pagina=228&data=06/10/2011&caderno=Di%C3%A1rio%20Oficial%20Cidade%20de%20S%C3%A3o%20Paulo&paginaordenacao=100228

Tod@s à Camara Municipal!!!

Vamos botar a boca no trombone pela Cultura Paulistana!!!

ACESSEM:

http://www.cooperativadeteatro.com.br/

http://mtrsaopaulo.blogspot.com/

http://culturaja.com/



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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Projeto de Lei 1096/11, artistas de rua‏

Projeto de Lei 1096/11, do deputado Vicente Candido (PT-SP), em análise na Câmara dos Deputados, equipara, para fins legais, a arte de rua a todas as outras modalidades artísticas, e proíbe autoridades federais, estaduais e municipais de estabelecer qualquer tipo de cerceamento da atividade dos artistas que trabalham em cruzamentos ou semáforos.

Segundo a proposta, o artista de rua é livre para pedir e receber contribuição espontânea de transeuntes e também pode vestir roupas com mensagem comercial de empresas patrocinadoras do seu trabalho.

O texto também estabelece normas gerais sobre a cultura e suas modalidades de manifestação, obedecendo ao item constitucional que determina que lei federal estabelecerá regras gerais para o setor, com o objetivo de evitar o tratamento diferenciado do assunto em diferentes localidades no país.

Segundo o projeto, o termo cultura abrange as manifestações artísticas em geral, realizadas em espaço fechado ou aberto, privado ou público, em veículo aberto ou nas ruas e praças públicas, com ingresso pago, gratuito ou com remuneração espontânea ao artista a título de doação após ou durante a encenação. Integram a categoria as artes cênicas, circenses, marciais e plásticas, as apresentações musicais, a dança, as lutas de exibição, a poesia e as manifestações de artistas de rua, que não poderão ser censuradas pelas autoridades públicas.

O projeto assegura ainda aos artistas o direito de reunião pacífica, a liberdade de associação para fins lícitos e a constituição de cooperativas, independentemente de autorização e vedada a interferência estatal no seu funcionamento.

A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias

De 25 para 90 milhões - Vamos aumentar os recursos do ProaC para 2012

Dia 28 às 14:00 na Assembléia Legislativa de São Paulo, haverá uma Audiência Pública convocada pela Comissão de Educação e Cultura para debater a equiparação dos recursos destinados à renuncia fiscal com os editais do ProaC. Este ano foram destinados 93 milhões para o ProaC ICMS e 25 milhões para os editais. Queremos uma emenda da Comissão que corrija esta disparidade no orçamento da Secretaria Estadual de Cultura em 2012, aplicando os mesmos montantes de recursos para as duas modalidades de Financiamento Público para a Cultura.



Todos à Audiência Pública!!

Por um debate transparente sobre os recursos destinados à Cultura!!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

São José dos Campos - FESTIVALE/2011 - crítica por Alexandre Mate

CANTEIRO: UMA OBRA DE TEATRALIDADE INFINDA CRIADA EM BANDO
Por Alexandre Mate

Nas chamadas histórias do teatro, as experiências que ganham estatuto documental são aquelas que correspondem a certo tipo de teatro, antenado e interessante aos detentores do poder da vez. De fato, não há uma história do teatro, o que existe documentado – seja majoritariamente com relação à dramaturgia, concernente à encenação, a movimentos estéticos etc – restringe-se a uma diminuta parte das práticas teatrais. Pouquíssima coisa existe sobre teatro popular, mas quase nada acerca de teatro de rua. Acerca de teatro épico-popular de rua, essa história ainda engatinha, mas não por ausência de obras, que têm aumentado, felizmente, dia-a-dia.
Teatro de rua, que sempre existiu, tem vocação popular, e vem sendo praticado por gente barrada “nos bailes” desde sempre. O que motivou certo tipo de artista, desde a Antiguidade clássica grega, a buscar os espaços públicos, seguramente, foi sua expulsão dos espaços oficiais. Os poderosos costumam não gostar de gente de faz não leva as coisas a serio, que faz chacota dos ricos, que apresenta seus próprios pontos de vista acerca dos acontecimentos oficiais.
Sete de Setembro transformou-se em data oficial da História do Brasil. Nesse dia, e desde Sete de Setembro de 1822, o Brasil independeu-se de Portugal, ou seja, do primeiro país invasor... Verdade que outras independências esperam ou precisam ainda ser feitas, mas como se dizia por meio de ditado popular: Calma que o Brasil é nosso! Nosso... exatamente de quem?
No teatro de rua, as datas oficiais não costumam ser comemoradas; ao contrário, a chamada “memória construída pelo alto” (a oficial) é sempre passível de chiste e de gozação. A rua também não pode ser “invadida” por qualquer obra, na maior parte do Brasil, para apresentar teatro de rua, é preciso pedir autorização. As comemorações de Sete de Setembro não precisam de autorização: a data faz parte do calendário oficial das cidades...
Muitos são os paradoxos da vida social.
Em sete de setembro de 2011, por volta das 11h da manhã, a Rua XV de Novembro, em São José dos Campos, foi transformada em passarela. Pela rua, infindos cidadãos: convidados ou intimados, patriotas ou alienados, crédulos ou incrédulos, conhecedores ou não da data, sempre em coro, desfilavam pela via pública. Nas calçadas, palmas e protestos; faixas a favor da Independência e faixas contra uma série de coisas, sobretudo contra a corrupção... A via pública é o espaço de contrastes. No citado Sete de Setembro, muita gente-em-desfile, momento de espetacularização. De vendedores e de compradores; de fanáticos emocionados e passantes distraídos; de pregões e de pregadores... tudo misturado: loas à data e críticas ao poder.... tudo misturado. A rua é o lugar das misturas.
Exatamente, quase no meio dessa misturação toda, na bela Praça Afonso Pena (difícil não perceber a beleza desta praça), Os Inventivos (SP) esperam a festa oficial terminar para fazerem a sua festa! Selecionados para a 26ª edição do Festivale – Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba, os cinco integrantes do grupo, exatamente, às 11h30 dão início ao espetáculo. O miolo da praça vazia, logo lota, sobretudo de crianças.
Em cena, 3 trabalhadores, no começo da hora do almoço, e tendo como maestro o excelente Rômulo Albuquerque (diretor musical do espetáculo) apresentam o prólogo do espetáculo, fazendo música com instrumentos inusitados: “hermetismos paschoais”, como afirmou Caetano Veloso em inspirado momento de criação. Logo chega a marmiteira (vendedora de quentinhas). Então, por que não contar histórias na hora do almoço, indaga um dos trabalhadores.
Canteiro é o nome dado pelo grupo paulistano à primeira parte da trilogia que toma como mote a magistral obra de João Ubaldo Ribeiro Viva o povo brasileiro; a obra de João Ubaldo apresenta mais de 300 anos de história, cujas ações acontecem em diversos locais da Bahia. Dirigido democrática e criativamente por Edgar Castro, o grupo apresenta em Canteiro o ponto de vista do povo, no caso específico, dos trabalhadores migrantes, sendo a que a indagação que motiva esses trabalhadores-personagens é: Quem escolhe o que come?
À indagação, um dos trabalhadores afirma que o caboco Capiroba sabia o que comer, por conta de sua condição de aborígene, ele comia até gente... Inicia-se, assim a narrativa do espetáculo. Múltiplas são as personagens trazidas do livro para a cena de rua: barão e mulher, orixás, pescadores, estrangeiros, lideres revolucionários, aborígenes... As personagens de João Ubaldo ganham a cena de rua e, por conta de sua transposição para o popular, muitas são as ambiguidades em torno do comer. Talvez, e aqui vai uma sugestão ao grupo, quando o espetáculo tem tantas crianças como público – e por maior que se imagine serem os danos e exageros, nesse particular, da indústria cultural – é imperioso, para viabilizar a troca de experiência, trabalhar mais com as atitudes do que propriamente com os óbvios.
Espetáculo absolutamente interativo no qual os atores sabem jogar com os espectadores. Muita participação dos mais de 200 espectadores que, na maior parte do tempo, assistiram ao espetáculo. Um coro de crianças destacou-se do conjunto, tendo como corifeu uma dessas crianças, que contestava todas as injustiças que tentavam ser impostas pelas personagens perversas da obra. O corifeu insistia, contrariando alguma imposição de autoridade que comeria quantas vezes quisesse e que não era escravo. No concernente à participação e interatividade alcançada pela obra, o maior de todos os destaques são os atores. Aysha Nascimento, Flávio Rodrigues (magistral na apresentação aqui analisada), Marcos di Ferreira, Mayumi, além de atores-criadores, regem, arranjam e animam com amplo domínio de seu fazer e de sua tarefa de artistas.
Atendo-se à questão das injustiças e da fome permanente, há momentos antológicos na obra. Um deles concerne aos processos de embranquecimento decorrente da miscigenação não consentida ocorrida no Brasil. Portugueses e outros europeus violentavam as mulheres negras, simplesmente isso! Hoje, decorrente de ideologia perversa, é incontável o número de mulheres que alisam o cabelo para, talvez, serem aceitas... Depois de uma das personagens tentar alisar o cabelo de sua enteada, sem tanto sucesso, conclui o ator: “Quem não aceita o cabelo que tem, também come apenas o que lhe é imposto.”
O espaço de representação é quase uma arena, nela, entretanto, “dominando a cena”, e em sentido vertical, uma grande traquitana (nome dado a um adereço de múltiplas funções, serve como púlpito, patíbulo, prisão, espaço de representação e de sevícia, camarote, barco, palco, tribuna.
Como o espetáculo apresentado no dia anterior – Ser Tão Ser: Narrativas da Outra Margem –, Canteiro também termina com uma indagação coletiva: “Como se faz justiça hoje?!” Assim, aos Ioiôs da atualidade se recomenda: Acordar às 4h30 da manhã e tomar o ônibus lotado; colocar o único filho em escola pública para estudar; se sustentar com um salário mínimo...
Estou convencido de que algumas pessoas que assistiram ao espetáculo na Praça Afonso Pena, sobretudo ao pequeno-grande corifeu, cujo nome não me foi possível saber, viverá todos os Sete de Setembro com uma outra consciência a ser conquistada.

Dolores volta em Outubro com "A Saga do Menino Diamante - Uma Ópera Periférica" -



O espetáculo A Saga do Menino Diamante – Uma ópera periférica apresenta 32 trabalhadores artistas que formam um cortejo cênico-poético-musical e convidam o público para uma jornada épica em busca da aventura humana. Durante percurso cênico de 1h40 o grupo mostra uma somatória de experiências sociais, onde nós, indivíduos em relação, não nos percebemos como construtores da cidade, da sociedade e da vida que nos cerca.

Após o 1° ato, o público pode degustar um caldo quentinho preparado em cena. Receber pessoas com comida faz parte da história do grupo. Em seguida, uma Festa até as 4h garante boas conversas sobre arte, cultura, urbanidade, sociedade, periferia.

Sendo espetáculo a céu aberto é cancela do quando chove. A dica é, se possível, não deixar para ir na última apresentação, 29 de outubro, para não correr o risco de ficar sem.

Nascido da experiência itinerante pelo bairro e espaços não convencionais para o teatro, em seus 11 anos o coletivo Dolores reúne na bagagem um histórico de saraus nas casas dos vizinhos, pilhérias e festas em praças, espetáculos em salas de aulas e o desenvolvimento de novas estéticas - como a arena arbórea e teatro mutirão. Hoje os artistas se espalham em núcleos de pesquisa, discutem e experimentam temas como O direito a preguiça, Erotismo e Periferia e Narrativas na cozinha.

Todas as atividades desenvolvidas pelo grupo são gratuitas.

Para saber mais sobre o Dolores navegue pelo blog e suas curiosidades ou no Facebook. Nas periferias da metrópole há mais arte e luta pulsando do que se poderia imaginar.


“A saga do menino diamante – Uma Ópera Periférica

De 08 a 29 de outubro, aos sábados, às 22h. Logo após tem Festa, até às 4h – TUDO GRÁTIS.

Local: Rua Frederico Brotero, 60 – Cidade Patriarca – Zona Leste – São Paulo

(Ao lado do posto de saúde, 10 minutos a pé do Metrô Patriarca)

Em Outubro Os Inventivos apresentam "ensaios de assalto" do novo espetáculo "BANDIDO É QUEM ANDA EM BANDO" Aguardem!







FOTOS - MANU MUNIZ

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Dia 7 de Setembro Os Inventivos estarão no "26ª Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba" em São José dos Campos



Companhia dos Inventivos
Canteiro
Direção:Edgar Castro / Orientação da Pesquisa:Alexandre Mate


Dia: 07
Hora: 11h
Local: Praça Afonso Pena
Espetáculo: Canteiro

Dia: 07
Hora: 15h
Local: Parque da Cidade
Espetáculo: Canteiro


Em 26 edições, esta é a primeira vez que o Festivale, realizado pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo, está com tantas atividades, 123 ao todo, e espalhadas por tantos lugares, 41 espaços entre ruas, praças, parques, teatros, bibliotecas, espaços culturais, escolas e em outros ambientes, como ônibus e carretas que se transformam em palco. Um dos maiores festivais de teatro do país, começa na próxima quinta-feira, dia 1º, e termina dia 11, com uma grande variedade de espetáculos teatrais - para todos os gostos e idades - além da capacitação de profissionais da área.

A capacitação dos atores começa no dia 3 e segue até o dia 11, com debates, workshops e oficinas, uma delas, inclusive, com o grande dramaturgo Chico de Assis, do antigo Teatro de Arena.

A 26ª edição do Festivale teve como foco principal o teatro de rua. A grande maioria do espetáculos acontece em ruas, praças e parques. Além deles, o documentário cênico Luiz Antonio - Gabriela, indicado a cinco prêmios Shell, que abre o festival, promete ser uma das grandes atrações deste festival, ao lado de O amor e outros estranhos rumores, com a atriz Débora Falabella e também do Sacra Folia, que encerra o festival, numa enorme carreta que só a sua montagem, já é um espetáculo à parte.

Exposições – Durante o 26º Festivale, a FCCR realiza, no Centro de Estudos Teatrais (CET), a exposição Memória do Teatro Joseense. A mostra contará com uma cervo de fotos, cartazes, troféus, matérias de jornais e documentos que sintetizam parte da trajetória de pessoas, grupos e companhias que pautam a história do teatro joseense. Já no Centro Cultural Clemnte Gomes, de 1º a 30 de setembro, em parceria com o Ministério da Cultura, será montada a exposição Lélia Abramo 100 anos, que traz 75 imagens e documentos, que contam a retrospectiva da vida de Abramo.

Inscrições para atividades: Todas as oficinas, palestras e workshops são gratuitos. , mas os interessados devem realizar inscrição, antecipadamente, até um dia antes da realização da mesma, na Secretaria Geral da FCCR, de segunda a sexta-feira das 8h às 17h,. Apos esse horário, as inscrições devem ser realizadas na Secretaria do Centro Cultural Clemente Gomes, que fica na sede da FCCR.

Ingressos – Na programação, haverá apresentações com entrada franca, outras com ingressos no valor de R$10 a R$ 30, que podem ser adquiridos pelo site www.bilheteria.com, ou no setor Financeiro, da FCCR, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Estudantes e idosos acima de 65 anos, pagam meia entrada.


Para a realização do 26º Festivale, a FCCR contou com o apoio dos parceiros: Rádio Band Vale, Rádio Nativa, Rádio Stereo Vale, TV Vanguarda, Comgás, Revista Valeparaibano, Jornal O Vale, Dan Inn Hotel, CCR Nova Dutra, Votorantim, Sesi, Sesc SP, Uniforja, Nagumo Supermercado e Cooperativa Paulista de Tetaro. O apoio para a realização deste evento, vem do Projeto Adhemar Guerra, Poiesis Organização Social de Cultura, Radici Group, Funarte, Oficinas Culturais, Proac, Governo do Estado de São Paulo, Ministério da Cultura e WCA Serviços Empresariais.

Assessora de Comunicação
Fundação Cultural Cassiano Ricardo

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Último final de semana para ver a Kiwi Companhia de Teatro com "Carne - Patriarcado e capitalismo"



CONVITE

Em junho de 2010 a Kiwi Companhia de Teatro iniciou o projeto Carne - Patriarcado e capitalismo. Foram realizadas 45 apresentações do trabalho cênico Carne em parceria com movimentos sociais, organizações populares, centros culturais, escolas e universidades, além de apresentações nos Centros de Cidadania da Mulher, Fundação Casa e para defensore-a-s público-a-s e promotoras legais populares. O projeto incluiu ainda a realização de ciclos de filmes, debates, intervenções urbanas, oficinas e do evento multiartístico festa & ideias. As atividades foram gratuitas e ocorreram principalmente em comunidades e bairros periféricos.

A última etapa do projeto, que tem apoio do Programa de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, é a temporada no Teatro Coletivo, local de residência da Companhia. Sete semanas já foram realizadas, as últimas apresentações acontecem nos dias 19, 20, 21 e 26, 27, 28 de agosto (sexta a domingo).

Nossa proposta é compartilhar esta caminhada teatral, que tenta se construir em bases críticas e participativas. Para nós será um prazer recebê-lo-a-s! Como a lotação é de 60 pessoas e, felizmente, vários coletivos já agendaram suas presenças, pedimos que sejam feitas reservas pelos telefones ou pelo endereço eletrônico divulgados abaixo.



Equipe Kiwi Companhia de Teatro

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Companhia do Feijão estréia "Enxurro" nesta Sexta-feira dia 26.



Enxurro é uma rapsódia cênica criada a partir de estímulos literários, cênicos e musicais de diversos autores e épocas, em torno de temas relacionados ao momento de transição civilizatória por que passamos. Numa corrente caleidoscópica, entrecruzam-se de maneira simbólica: anomalias, assombros, cumplicidade, devastação, encontros, espelhos, inspirações, mentiras, poder, radicalismo, reação, reconstruções, reencontros, resistência e horizontes. Esboços de um vir-a-ser.

sábado, 13 de agosto de 2011

Trupe Artemanha ameaçada de perder espaço.

Ocupação e Resistência: Trupe Artemanha é ameaçada de perder espaço recém ocupado para abrigar a Escola Popular de Teatro - CITA e as Ações Culturais do Grupo.

Na data de 11 de agosto de 2011, recebemos a visita de uma equipe de Obras da Secretaria de Assistência Social e de representantes da construtora MAS (vencedora da licitação), estavam em posse da planta baixa do local, dizendo que pretendem até o fim deste mês derrubar o prédio para construir no lugar um futuro asilo, que o processo já estava aprovado pela Secretaria e inclusive sancionado pela Vice-prefeita Alda Marco Antônio.

Entenda o caso:
O espaço em questão está localizado na Rua Aroldo de Azevedo, 20, um barracão de madeira com cerca de 500m² que já chegou a funcionar como Subprefeitura do Campo Limpo durante muitos anos, e que depois serviu como sede do Instituto Oca e até o ano de 2009 para o Instituto Cultural Uboé. O local ficou abandonado por cerca de um ano, chegando a servir como sede para o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) unidade Campo Limpo, que ocupou o local por apenas 45 dias até que sua nova instalação ficasse pronta, mudando-se para um prédio privado (custo mensal da locação R$ 8.000,00 - dinheiro proveniente dos cofres públicos), deixando uma herança para o espaço que passou a servir como depósito de patrimônios públicos abandonados como equipamentos, móveis e documentos. Neste curto tempo em que esteve no local, a equipe do CRAS que faz parte da Secretaria de Assistência Social, não realizou melhorias para o prédio que estava em situação caótica, com problemas de esgoto, água, luz, infestado por cupins e até sofrendo saques e arrombamentos constantes. Além de terem resolvido o problema de água e luz realizando ligação clandestina, já que as fiações estavam condenadas, correndo risco até de incêndio no local.
Em busca de um espaço para o desenvolvimento do Projeto da Trupe Artemanha de Investigação Urbana que atualmente baseia-se em três eixos de ações: 1º) Desenvolvimento de sua pesquisa teatral com ensaios e apresentações dos espetáculos abertos à população. 2º) Criação da Escola Popular de Teatro - CITA (Centro de Investigação Teatral Artemanha) e formação artística com oficinas culturais livres oferecidas a jovens e adultos. 3º) Acesso livre de espetáculos de várias cidades do país para população a partir de Projetos do ARTEMANHA RECEBE e FESTCAL (Festival Nacional de Teatro de Campo Limpo), que acontece a mais de 5 anos nos bairros do Campo Limpo.
Identificamos que este seria o melhor local para implantação do projeto “15 Anos Revelando Artemanhas” contemplado na 18ª Edição da Lei de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo.

Em conversas com a subprefeitura do Campo Limpo, chegamos ao acordo de ocupar o espaço para realizar as ações culturais do grupo, já que este se encontrava abandonado. Assim que entramos no espaço, demos início aos reparos de pintura, limpeza, higienização, compra de equipamentos, de materiais de construção (vasos sanitários, tintas, fios elétricos etc) e na organização do patrimônio ali abandonado em uma única sala. Pós mobilização e realização de mutirão para melhorias e reformas no espaço, eis que surge o interesse do poder público (Secretaria de Assistência Social) em implantar o seu projeto neste local, atualmente batizado como CITA (Centro de Investigação Teatral Artemanha) que já completa três meses de atividades de Escola-CITA, além de ser utilizado para os ensaios do grupo e com programação de oficinas livres para a comunidade. É importante ressaltar o apoio da Cooperativa Paulista de Teatro, de vários movimentos sociais, dos Diversos Grupos de Teatro da cidade de São Paulo, interior do Estado e de outros estados do Brasil e principalmente da população da região sul de São Paulo.

A Trupe Artemanha de investigação urbana declara que continuará ocupando artisticamente o Espaço Cultural - CITA e conclama a todos para ajudarem nesta luta que estamos travando desde que chegamos a este local que não é propriedade de uma Secretaria e sim, da população.

Cultura na Periferia é resistência e não benevolência!

11 de agosto de 2011.

Trupe Artemanha de investigação urbana
Escola Popular de Teatro - CITA
www.escolacita.blogspot.com

sábado, 30 de julho de 2011

Iná Camargo na plenária do MTC (Movimento dos Trabalhadores da Cultura)

Primeira carta aberta produzida pelo Movimento dos Trabalhadores da Cultura como esclarecimento à sociedade e aos representantes do Estado.

O Movimento dos Trabalhadores da Cultura vem sendo acusado pelo governo de antidemocrático e de se negar ao diálogo com as esferas representativas do poder público federal. Este breve histórico pretende esclarecer a sociedade sobre a falsidade destas acusações. É necessário compreender a história para compreender a luta.

Nos últimos nove anos, trabalhadores de teatro, organizados principalmente na forma de grupos, uniram-se nacionalmente para, entre outras coisas, discutir propostas de políticas públicas que se contrapusessem aos instrumentos de renúncia fiscal utilizados pelos governos.


Esses trabalhadores da cultura, na tentativa de diálogo, manifestaram sua recusa aos instrumentos de renúncia fiscal, já que eles reduzem a arte e a cultura a um negócio de marketing, desviando recursos públicos e a responsabilidade do Estado para as grandes corporações.


Os trabalhadores da cultura abriram diálogo constante com o governo, com o Ministério da Cultura e com o Poder Legislativo.


O governo anunciou a reforma da Lei Rouanet, tecnicamente a substituição do PRONAC pelo PROFIC, mais tarde conhecido como a nova lei da cultura ou PROCULTURA.


Em 27 de março de 2009, os trabalhadores da cultura ocuparam o prédio da FUNARTE para expor que a nova lei da cultura continuava sendo um instrumento de política pública com um único programa: de renúncia fiscal e (des)incentivo ao mercado. Buscando o diálogo, questionava-se: os senhores querem nos ouvir?


Ainda em 2009, formaram-se comissões mistas com representantes do governo e dos trabalhadores da cultura e, mais uma vez, apresentou-se a política de Estado defendida pela categoria organizada: criação de programas – e não um programa único – estabelecidos em leis – e não uma lei única – com orçamentos próprios, com regras claras e democráticas. Inúmeras reuniões foram feitas e o governo decidiu incluir, distorcendo, as propostas apresentadas pelos trabalhadores da cultura em sua reforma da lei de renúncia fiscal.


Em resumo, o texto apresentado pelo governo previa a criação de programas setoriais de arte estabelecidos em leis específicas. Mas o Prêmio Teatro Brasileiro, que seria apenas um exemplo disso, e que dependeria, portanto, de uma lei específica a ser encaminhada ao Congresso pelo governo, se reduz, no texto do Procultura, a uma idéia a ser regulamentada. Pelo Procultura, o regulamento pode ser via CNIC e o programa se equiparar a um edital dentro do Fundo Nacional de Cultura; ou ser um decreto de governo.


Por essas ‘pegadinhas’, acaba-se, na prática, com a idéia de um programa de Estado com orçamento próprio a ser aplicado por qualquer governo, de qualquer partido. Sem orçamento próprio e sem regras claras, tudo se reduz, novamente, à vontade e à ação do governo de plantão, sem qualquer garantia de cumprimento e continuidade.


Outro ponto importante nas negociações foi a defesa de um orçamento mínimo para o Fundo Nacional de Cultura, que não dependesse de cada governo. O máximo a que se chegou foi à equiparação da verba disponibilizada para a renúncia fiscal com a destinada ao Fundo;


Sem arredar pé quanto ao repúdio à renúncia fiscal e negando-se a qualquer tipo de diálogo sobre este tema, mas, sim, continuando o diálogo sobre a construção de uma política pública de Estado em contraposição a uma política mercantil de cultura, as conversas continuaram.


Em 2010 o movimento continuou seu debate com o governo.


A sociedade civil participou de inúmeras reuniões promovidas pelo Ministério da Cultura: as câmaras setoriais, os colegiados, etc. O governo apresentou o plano setorial que previa, entre outras coisas, a implementação do Prêmio Teatro Brasileiro.


Diálogo constante, trabalho constante para construção e efetivação das pautas do movimento. 2010 se passou, os editais prometidos pelo Ministério da Cultura (exemplo claro do que vem a ser uma ação de governo em detrimento a uma política de Estado), não foram lançados, isto é, foram transformados num Frankstein que junta setores e atividades diversas de Artes Cênicas num único balaio, um edital único e que, ainda por cima, se evaporou no ar, não existe mais, não passou de promessa ou lançamento irresponsável. Nenhuma explicação, nenhum respeito por parte do governo e seus representantes.


Em 2011 inicia-se o que foi prometido como continuidade: Dilma Roussef assume a presidência da República. Ana de Holanda assume o Ministério da Cultura.


Os grupos teatrais do País, com apoio de outras categorias artísticas, organizam em Osasco – SP, o Congresso Brasileiro de Teatro. Na tentativa de continuidade de diálogo foram recolocadas à Ministra e demais representantes do Ministério da Cultura as propostas já amplamente apresentadas e discutidas com a gestão anterior da pasta. A ministra publicamente disse que os artistas não precisam de tanto dinheiro para fazer arte e que apoiava nossa propostas.


O governo mantém as políticas públicas de incentivo ao mercado por intermédio da lei de renúncia fiscal, a lei Rouanet.


O Ministério da Cultura tem sua verba contingenciada, passando dos já insuportáveis 0,2% do orçamento da união para os inadmissíveis 0,06%.


Em julho de 2011, os trabalhadores da cultura perdem a paciência e ocupam novamente a FUNARTE exigindo o cumprimento de suas reivindicações históricas, contidas no manifesto É Hora de Perder a Paciência – disponível no site www.culturaja.com.


Que se diga, mais uma vez:


o que se defende é uma política pública de Estado, e não apenas de governo, estabelecida em leis com regras claras e democráticas, e com orçamentos próprios, o que obrigaria os governos, como Poder Executivo, a executá-las. O que se defende é uma abertura para programas e não um programa único como o incentivo fiscal. O que se defende são leis – a serem construídas no tempo – e não uma lei única como o Procultura. O Prêmio Teatro Brasileiro é um projeto de lei desta natureza e foi entregue ao governo para que ele o encaminhasse ao Congresso Nacional como UM exemplo disso, a ser seguido por outros, e não como um programa único de teatro. Mas o governo finge que não entende isso e não toma nenhuma providência para encaminhá-lo ao Legislativo;


o que se defende é um Fundo Nacional de Cultura, que não é programa mas um instrumento contábil para a ação dos governos, com orçamento e regras claras estabelecidas em leis; que seja administrado através de editais, que serão sempre refeitos e discutidos, tendo um caráter conjuntural, ao contrário dos programas acima, que têm caráter estrutural e estruturante, caráter de continuidade.
Frente à grandeza dessas propostas, o Presidente da Funarte vem oferecer Prêmio Myriam Muniz, Mambembão, liberação de recursos para pagar dívidas vencidas… E diz que isso é diálogo. Vamos falar sério?

O diálogo foi mantido durante anos, nossas pautas continuam sendo dinheiro público para a arte pública. Estão amplamente apresentadas em nosso manifesto, anteriormente divulgado, e claramente organizadas em nossas propostas de leis também apresentadas aos órgãos que compõem o governo.

Aos representantes do Estado exigimos impacientes que cumpram nossas exigências.

Segunda carta produzida pelo Movimento dos Trabalhadores da Cultura sobre a ocupação.

Desde segunda-feira, 25 de julho de 2011, os trabalhadores da cultura ocupam a sede paulistana da FUNARTE (Fundação Nacional das Artes). Por mais de 10 anos de inoperância, ou operando com migalhas distribuídas por meio de editais sem periodicidade, insuficientes e usados para conter a organização da classe trabalhadora, a FUNARTE chega à falência.

Em socorro a esta instituição, e com aval da última diretoria fantoche, nós trabalhadores da cultura precipitamos sua revitalização – não mais como órgão mediador e contentor das demandas dos trabalhadores, mas como espaço vivo, autogestionado, com produção intensa de cultura, pensamento, participação e rebeldia.

Os portões estão fechados mas a casa está aberta. Temos medo. O Estado detém o monopólio legal da violência e suas forças armadas (polícias federais, estaduais, municipais e exército). Não temos armas, e garantimos nossa segurança e a vitalidade do espaço com portões cerrados aos representantes deste Estado. A casa está aberta.

É preciso também destacar que não houve ameça aos funcionários da FUNARTE. O SINDSEF-SP (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal de São Paulo), que representa também os funcionários da FUNARTE, está inclusive apoiando nossa ocupação, e neste sentido tornou pública uma carta chamada, sintomaticamente, “Pelo respeito ao direito de lutar!”

Nestes dias de exceção, este prédio experimenta sua verdadeira vocação a espaço de cultura. Ensaios de grupos teatrais, de bandas musicais, grupos de maracatu, estudos conjuntos, são realizados ao lado das tarefas de limpeza, segurança, alimentação, infra-estrutura, comunicação, programação, etc., por meio de grupos de trabalhos rotativos. Sindicatos, movimentos sociais e organizações artísticas de todo o Brasil se solidarizam com esta luta. Doações de alimentos, moções de apoio e a participação direta na ocupação, referendam o acerto de nossa impaciência.

É curiosa a afirmação de que não dialogamos. Os acordos firmados e construídos durante mais de 8 anos foram ignorados por esta administração que se comprometeu com a continuidade. É consenso publicado, desde a presidente Dilma ao presidente da FUNARTE Antônio Grassi, que são favoráveis a todas as nossas exigências. Tanta desfaçatez nos faz crer que o Estado é uma estrutura anti-popular e existe em função dos interesses do capital

Um governo que se diz de esquerda, deveria agradecer e fomentar a participação e mobilização popular que são a força motriz na construção de novos paradigmas sociais.

Todo trabalhador quando faz arte coloca o mundo às avessas

terça-feira, 26 de julho de 2011

Ocupamos a Funarte!



Venha ocupar a Funarte conosco!

E já que a casa é nossa, alguns grupos amanhecem esta terça-feira, dia 26, já ensaiando por aqui. Traga o seu coletivo para ocupar: transfira para cá os ensaios e trabalhos! Há bastante espaço! Abrimos as portas da Funarte! O MTC segue na luta por tempo indeterminado! Assembléia às 09:00 horas!

Não se engane! Não estamos fazendo aqui uma ocupação estética estática.

O MinC, por meio da Funarte SP, tomou conosco uma atitude de democracia hipócrita: abriu as portas da casa para os trabalhadores da cultura até quinta-feira, mas com intenção de neutralizar nosso discurso.

Isso para dar a impressão de que queremos apenas fazer barulho, sem mostrar o que vem ocorrendo com a política de verbas para a Cultura.

Da mesma forma hipócrita, a Funarte liberou uma pequena verba de R$ 100 milhões semana passada; para dizer que há muito dinheiro quando na verdade o dinheiro vem sendo cortado drasticamente. Pior: tratava-se de rebarba do orçamento do ano passado.

A verdade é que dois terços da verba federal para Cultura foi cortada. Exigimos aprovação da PEC 150. Ela garante que o mínimo de 2% do orçamento geral da União seja destinado à Cultura.

Exigimos também a aprovação da PEC 236. Ela prevê a Cultura como direito social.

Aproveitamos então o tão singelo abrir dessas portas e estendemos o convite para todos os artistas, todos os trabalhadores da cultura:

Junte seu grupo e mostre a todos os governos que sabe o que quer!

Arte pública com dinheiro público!

Fim do engôdo chamado incentivo cultural via isenção fiscal!

Por políticas culturais estruturantes!

Cultura não é mercadoria!

domingo, 24 de julho de 2011

Intervenção: Aqui Jaz Brasil - Processo do Bando.

MANIFESTO DOS TRABALHADORES DE CULTURA

O Movimento de Trabalhadores da Cultura, aprofundando e reafirmando as posições defendidas desde 1999, em diversos movimentos como o Arte Contra Bárbarie, torna pública sua indignação e recusa ao tratamento que vem sendo dado à cultura deste país. A arte é um elemento insubstituível para um país por registrar, difundir e refletir o imaginário de seu povo. Cultura é prioridade de Estado, por fundamentar o exercício crítico do ser-humano na construção de uma sociedade mais justa. A produção artística vive uma situação de estrangulamento que é resultado da mercantilização imposta à cultura e à sociedade brasileiras. O Estado prioriza o capital e os governos municipais, estaduais e federal teimam em privatizar a cultura, a saúde e a educação. É esse discurso que confunde política para a agricultura com dinheiro para o agronegócio; educação pública com transferência de recursos públicos para faculdades privadas; incentivo à cultura com Imposto de Renda doado para o marketing, servindo a propaganda de grandes corporações. Por meio da renúncia fiscal – em leis como a Lei Rouanet - os governos transferiram a administração de dinheiro público destinado à produção cultural, para as mãos das empresas. Dinheiro público, utilizado com critérios de interesses privados. Política que não amplia o acesso aos bens culturais e principalmente não garante a produção continuada de projetos culturais. Em 2011 a cultura sofreu mais um ataque: um corte de 2/3 de sua verba anual. De 0,2% ou 2,2 bilhões de reais, foi para 0,06% ou 800 milhões de reais do orçamento geral da União em um momento de prosperidade da economia brasileira. Esta regressão implicou na suspensão de todos os editais federais de incentivo à Cultura no país, num processo claro de destruição das poucas conquistas da categoria. Enquanto isso, a renúncia fiscal da Lei Rouanet não sofreu qualquer alteração apesar das inúmeras críticas de toda a sociedade.

Trabalhadores da Cultura, é HORA DE PERDER A PACIÊNCIA: Exigimos dinheiro público para arte pública!

Arte pública é aquela financiada por dinheiro público, oferecida gratuitamente, acessível a amplas camadas da população – arte feita para o povo. Arte pública é aquela que oferece condições para que qualquer trabalhador possa escolhê-la como seu ofício e, escolhendo-a, possa viver dela – arte feita pelo povo. Por uma arte pública, tanto nós, trabalhadores da cultura, como toda a população em seu direito ao acesso irrestrito aos bens culturais, exigimos programas – e não programa único – estabelecidos em leis com orçamentos próprios. Exigimos programas que estruturem uma política cultural contínua e independente – como é o caso do Prêmio Teatro Brasileiro, um modelo de lei proposto pela categoria após mais de 10 anos de discussões. Por uma arte pública exigimos Fundos de Cultura, também estabelecidos em lei, com regras e orçamentos próprios a serem obedecidos pelos governos e executados por meio de editais públicos, reelaborados constantemente com a participação da sociedade civil organizada e não dentro dos gabinetes. Por uma arte pública, exigimos a imediata aprovação da PEC 236, que prevê a c
cultura como direito social, e também imediata aprovação da PEC 150, que garante que o mínimo de 2% ( hoje, 40 bilhões de reais) do orçamento geral da União seja destinado à Cultura, para que assim tenhamos verbas que possibilitem o início de um tratamento devido à cultura brasileira.
Por uma arte pública, exigimos a imediata publicação dos editais de incentivo cultural que foram suspensos, e o descontingenciamento imediato da já pequena verba destinada à Cultura. Por uma arte pública, exigimos o fim da política de privatizações e sucateamentos dos equipamentos culturais, o fim das leis de incentivo fiscal, o fim da burocratização dos espaços públicos e das contínuas repressões e proibições que os trabalhadores da cultura têm diariamente sofrido em sua luta pela sobrevivência. Por uma arte pública queremos ter representatividade dentro das comissões dos editais, terrepresentatividade nas decisões e deliberações sobre a cultura, que estão nas mãos de produtores e dos interesses do mercado. Por uma arte pública, hoje nos dirigimos a Senhora Presidenta da República, Dilma Rousseff, ao Senhor Ministro da Fazenda e às Senhoras Ministras do Planejamento e Casa Civil, já que o Ministério da Cultura, devido seu baixo orçamento encontra-se moribundo e impotente. Exigimos a criação de uma política pública e não mercantil de cultura, uma política de investimento direto do Estado, que não pode se restringir às ações e oscilações dos governos de plantão. O Movimento de Trabalhadores da Cultura, chama toda a população a se unir a nós nesta luta.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

“Mineirinho”, de Clarice Lispector (crônica de 1978, publicada no livro “Para não esquecer”, Editora Siciliano).

"É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que esta doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a justiça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: 'O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no Céu.' Respondi-lhe que 'mais do que muita gente que não matou'.

Por que? No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim.

Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me fez ouvir o primeiro tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina - porquê eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.

Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais. Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. Eu devo ter esquecido que embaixo da casa está o terreno, o chão onde nova casa poderia ser erguida. Enquanto isso dormimos e falsamente nos salvamos. Até que treze tiros nos acordem, e com horror digo tarde demais - vinte e oito anos depois que Mineirinho nasceu - que ao homem acuado, que a esse não nos matem. Porque sei que ele é o meu erro. E de uma vida inteira, por Deus, o que se salva às vezes é apenas o erro, e eu sei que não nos salvaremos enquanto nosso erro não nos for preciso. Meu erro é o meu espelho, onde vejo o que em silêncio eu fiz de um homem. Meu erro é o modo como vi a vida se abrir na sua carne e me espantei, e vi a matéria de vida, placenta e sangue, a lama viva. Em Mineirinho se rebentou o meu modo de viver. Como não amá-lo, se ele viveu até o décimo terceiro tiro o que eu dormia? Sua assustada violência. Sua violência inocente - não nas conseqüências, mas em si inocente como a de um filho de quem o pai não tomou conta. Tudo o que nele foi violência é em nós furtivo, e um evita o olhar do outro para não corrermos o risco de nos entendermos. Para que a casa não estremeça. A violência rebentada em Mineirinho que só outra mão de homem, a mão da esperança, pousando sobre sua cabeça aturdida e doente, poderia aplacar e fazer com que seus olhos surpreendidos se erguessem e enfim se enchessem de lágrimas. Só depois que um homem é encontrado inerte no chão, sem o gorro e sem os sapatos, vejo que esqueci de lhe ter dito: também eu.
Eu não quero esta casa. Quero uma justiça que tivesse dado chance a uma coisa pura e cheia de desamparo e Mineirinho - essa coisa que move montanhas e é a mesma que o faz gostar 'feito doido' de uma mulher, e a mesma que o levou a passar por porta tão estreita que dilacera a nudez; é uma coisa que em nós é tão intensa e límpida como uma grama perigosa de radium, essa coisa é um grão de vida que se for pisado se transforma em algo ameaçador - em amor pisado; essa coisa, que em Mineirinho se tornou punhal, é a mesma que em mim faz com que eu dê água a outro homem, não porque eu tenha água, mas porque, também eu, sei o que é sede; e também eu, não me perdi, experimentei a perdição. A justiça prévia, essa não me envergonharia. Já era tempo de, com ironia ou não, sermos mais divinos; se adivinhamos o que seria a bondade de Deus é porquê adivinhamos em nós a bondade, aquela que vê o homem antes de ele ser um doente do crime . Continuo, porém, esperando que Deus seja o pai, quando sei que um homem pode ser o pai de outro homem. E continuo a morar na casa fraca. Essa casa, cuja porta protetora eu tranco tão bem, essa casa não resistirá à primeira ventania que fará voar pelos ares uma porta trancada. Mas ela está de pé, e Mineirinho viveu por mim a raiva, enquanto eu tive calma. Foi fuzilado na sua força desorientada, enquanto um deus fabricado no último instante abençoa às pressas a minha maldade organizada e a minha justiça estupidificada: o que sustenta as paredes de minha casa é a certeza de que sempre me justificarei, meus amigos não me justificarão, mas meus inimigos que são os meus cúmplices, esses me cumprimentarão; o que me sustenta é saber que sempre fabricarei um deus à imagem do que eu precisar para dormir tranqüila, e que os outros furtivamente fingirão que estamos todos certos e que nada há a fazer. Tudo isso, sim, pois somos os sonsos essenciais, baluartes de alguma coisa. E sobretudo procurar não entender.

Porque quem entende desorganiza. Há alguma coisa em nós que desorganizaria tudo - uma coisa que entende. Essa coisa que fica muda diante do homem sem o gorro e sem os sapatos, e para tê-los ele roubou e matou; e fica muda diante do S. Jorge de ouro e diamantes. Essa alguma coisa muita séria em mim fica ainda mais séria diante do homem metralhado. Essa alguma coisa é o assassino em mim? Não, é o desespero em nós. Feito doidos, nós o conhecemos, a esse homem morto onde a grama de radium se incendiara. Mas só feito doidos, e não como sonsos, o conhecemos. É como doido que entro pela vida que tantas vezes não tem porta, e como doido compreendo o que é perigoso compreender, e como doido é que sinto o amor profundo, aquele que se confirma quando vejo que o radium se irradiará de qualquer modo, se não for pela confiança, pela esperança e pelo amor, então miseravelmente pela doente coragem de destruição. Se eu não fosse doido, eu seria oitocentos policiais com oitocentas metralhadoras, e esta seria a minha honorabilidade.

Até que viesse uma justiça um pouco mais doida. Uma que levasse em conta que todos temos que falar por um homem que se desesperou porque neste a fala humana já falhou, ele já é tão mudo que só o bruto grito desarticulado serve de sinalização. Uma justiça prévia que se lembrasse de que nossa grande luta é a do medo, e que um homem que mata muito é porque teve muito medo. Sobretudo uma justiça que se olhasse a si própria, e que visse que nós todos, lama viva, somos escuros, e por isso nem mesmo a maldade de um homem pode ser entregue à maldade de outro homem: para que este não possa cometer livre e aprovadamente um crime de fuzilamento. Uma justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado. Na hora de matar um criminoso - nesse instante estásendo morto um inocente. Não, não é que eu queira o sublime, nem as coisas que foram se tornando as palavras que me fazem dormir tranqüila, mistura de perdão, de caridade vaga, nós que nos refugiamos no abstrato.

O que eu quero é muito mais áspero e mais difícil: quero o terreno".

Segunda-Feira "A bomba" vai explodir.



GRANDE MANIFESTAÇÃO DOS TRABALHADORES DE CULTURA EM LUTA.
Local: Rua Apa - 14hs - São Paulo-SP

É CHEGADA A HORA DE PERDER A PACIÊNCIA!


·Os Trabalhadores de Cultura de São Paulo perderão completamente a Paciência dia 25 de julho de 2011 às 14h na Rua Apa, 83 – Santa Cecília, Próx. ao Castelinho da Av. São João e Funarte SPnuma grande e extensa Programação.
·Dinheiro público para o interesse público: Emprego, Educação, Saúde, Cultura, Esporte, Moradia!
·Pelo fim das Leis de Incentivo Fiscal! Verbas públicas pra políticas públicas de Cultura!
·Pela imediata implantação da Lei que institui o projeto “Prêmio Teatro Brasileiro”!
·Liberação já dos 2/3 do orçamento da União para o Ministério da Cultura!
·Pela transformação do projeto “Lei de Fomento ao Teatro Brasileiro” em lei extensiva às outras áreas artísticas (artes plásticas, dança, circo, música, culturas populares, literatura e cinema) e o encaminhamento através do executivo deste projeto como um projeto de governo com dotação orçamentária própria!
·Pela imediata votação da PEC 236 – Cultura como Direito Social e imediata votação da PEC 150 – 2% do orçamento da União pra Cultura.
·Pela imediata publicação de todos os Editais

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Grupo Coletivo Negro apresenta seu "primeiro movimento"

"À Margem da Imagem" de Evaldo Mocarzel.



Focaliza as rotinas de sobrevivência, o estilo de vida e a cultura dos moradores de rua do município de São Paulo. pesquisa sobre o assunto revela a existência de cerca de 9 mil pessoas vivendo pelas ruas de São Paulo. Trata-se de um problema dramático que vem se agravando a cada dia.

domingo, 3 de julho de 2011

Mostra Militância Teatral na Periferia.

A arte produzida na periferia de São Paulo, abrange diversas linguagens (artes plásticas e visuais, dança, literatura, música, teatro) e se impõe como espelho da realidade contemporânea.
No movimento, que se expande dia a dia, o teatro tem especial relevo tanto por sua natureza coletiva quanto pela sua capacidade estimuladora e aglutinadora de outras áreas expressivas.
A mostra Militância Teatral na Periferia propõe justamente a inclusão do centro neste que é um dos mais corajosos movimentos teatrais paulistanos dos últimos tempos.

Com curadoria de Sebastião Milaré, a mostra traz sete grupos, provenientes de diversos bairros da periferia de São Paulo, que ocuparão o TUSP de 7 a 31 de julho.
Além de apresentações de seus espetáculos, foram organizadas mesas e debates com os participantes, assim como a exibição de documentários sobre os grupos.



Dia 0719h - Abertura oficial e apresentação do vídeo documentário "Pulsações Periféricas” - segundo programa da primeira temporada da série Teatro e Circunstância, realizada pelo SESCTV, com direção de Amilcar Claro e curadoria e roteiro de Sebastião Milaré.
20h - Mesa “Dramaturgia”, com a participação de Adaílton Alves (Buraco d´Oráculo); Fábio Resende (Brava Companhia); Luiz Carlos Moreira (Engenho Teatral). Mediação de Ana Roxo.
Dias 08 e 09 – 20h:
Insônias de Antônio, de Danilo Monteiro, Júlia Saragoça e Luciano Carvalho. Direção de Danilo Monteiro. Com o grupo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes.
Dia 10 – 19h:
Mesa “O Espaço Teatral”, primeira parte, depoimento do grupo Dolores Boca Aberta; Segunda parte, apresentação do documentário Pólen, Pólis, Política, criação coletiva do grupo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes. Terceira parte, debate sobre a transformação de áreas urbanas em “espaços teatrais”, com o grupo Dolores Boca Aberta e Paulo Carvalho Júnior, do Grupo Pombas Urbanas, mediação de Amauri Falseti, da Cia. Paidéia de Teatro.
Dia 13 – 20h
Mesa “Depoimentos” com o Engenho Teatral e Trupe Artemanha de Investigação Urbana.
Dias 14 e 15 – 20 h:
Pequenas histórias que à História não contam, dramaturgia e direção de Luiz Carlos Moreira. Com o Engenho Teatral.
Dia 16 - 20h e 17 – 19h:
Brasil, quem foi que te pariu?, dramaturgia e direção de Luciano Santiago, criação coletiva da Trupe Artemanha de Investigação Urbana.
Dia 20 – 20h:
Documentário “Histórias de um Ser TÃO Ser”, realização do Buraco D`Oráculo e Lona Preta.
Mesa “Depoimentos” com Buraco d´Oráculo e Brava Companhia.
Dia 21 – 20h:
A farsa do bom enganador, inspirada em A farsa do mestre Pathelin, de autor anônimo (séc. XV). Adaptação e direção de Atílio Garret. Com o grupo Buraco d´Oráculo.
Dia 22 – 20h:
Ser TÃO Ser – narrativas da outra margem. Texto em processo colaborativo do grupo. Direção de Adaílton Alves. Com o grupo Buraco d´Oráculo.
Dia 23 - 20h e 24 – 19h:
A brava, dramaturgia do Grupo. Direção de Fábio Resende. Com a Brava Companhia.
Dia 2719 h - Apresentação dos documentários El Quijote, da Rede Latino Americana de Teatro em Comunidade; 3º Encontro Comunitário de Teatro Jovem da Cidade de São Paulo, direção de Fernando Mastrocola; Hip Hop na Cozinha do Clariô, direção de Zinho Trindade.
20h15 - Mesa “Depoimentos” com o Grupo Clariô e Pombas Urbanas.
Dias 28 e 29 – 20h:
Hospital da Gente, de Marcelino Freire. Direção de Mário Pazini. Com o Grupo Clariô de Teatro.
Dia 30 – 20h:
Histórias para serem contadas, de Osvaldo Dragún. Direção de Hugo Villavicencio. Com o grupo Pombas Urbanas.
Dia 31 – 19h:
Mingau de concreto, de Lino Rojas. Direção de Marcelo Palmares e Paulo Carvalho Jr. Com o grupo Pombas Urbanas.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Os Inventivos realiza última mesa dos "Escambos Estéticos" na programação do 2º Fórum de Teatro de Rua.



III ENCONTRO DE ESTUDOS TEATRAIS e 2º FÓRUM DE TEATRO DE RUA "AS FORMAS FORA DA FORMA"

Data: 04 à 08 de Julho de 2011
Local: - UNESP - Rua Dr. Bento Teobaldo Ferraz, 271 – Barra Funda

PROGRAMAÇÃO

04/07
Horário: das 9h às 12h
Mesa: O circo-teatro brasileiro.
Participantes:
· Daniel Marques da Silva (Universidade Federal da Bahia) - Benjamin de Oliveira: o palhaço negro que dançou a chula para o “Marechal de Ferro”.
· Daniele Pimenta (Faculdade Integrada Coração de Jesus - FAINC, de Santo André; Cia. PICNIC) - Famílias circenses: características, glórias e percalços.
· Fernando Neves - Personagens arquetípicas do circo-teatro.
· Mario Bolognesi (Instituto de Artes da Unesp) - Apontamentos sobre a inserção do melodrama e da farsa como atração do circo.
Mediação: Lilia Nemes (mestranda em Artes Cênicas – Instituto de Artes da Unesp)

Horário: das 14h às 18h
Leituras dramáticas de fragmentos de obras do circo-teatro. Vem buscar-me que ainda sou teu, de Carlos Alberto Soffredini. Direção: Criação Coletiva. Sai, despacho!, de Benjamin de Oliveira. Direção: Criação Coletiva.

05/07
Horário: das 9h às 12h
Mesa: O teatro de revista brasileiro.
Participantes:
· Alberto Ikeda (Instituto de Artes da Unesp) – A música no espetáculo teatral híbrido.
· Alexandre Mate (Instituto de Artes da Unesp) - Apontamentos sobre o nascimento e desenvolvimento do teatro de revista no Brasil.
· Carol Bezerra - Relatos de uma atriz-cantora pela forma revisteira.
· Neyde Veneziano (Universidade Estadual de Campinas) - Convenções e estrutura do teatro de revista.
Mediação: Alan Livan (mestrando em Artes Cênicas – Instituto de Artes da Unesp)

Horário: das 14h às 18h
Leituras dramáticas e apresentações de esquetes de teatro de revista, encenados pelo grupo Tia Tralha, dirigidos por Alan Livan. Coplas e números musicais cantados por Carol Bezerra e estudantes do ensino médio.

06/07
Horário: das 9h às 12h
Mesa: O teatro de feira francês do século XVII e seus desdobramentos.
Participantes:
· João das Neves - O Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional de Estudantes do Rio de Janeiro.
· José Fernando de Azevedo (Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo) - O agitpropismo russo-soviético e a cultura proletária.
· Maria Thais (Escola de Comunicações e Artes - USP) - Os expedientes populares no teatro de Meyerhold.
· Robson Corrêa de Camargo (Universidade Federal de Goiás) - Expedientes criados pelos artistas do teatro de feira para resistir às restrições do Estado francês.
Mediação: Roberta Ninin (mestra em Artes Cênicas – Instituto de Artes da Unesp)

Horário: das 14h às 18h
Oficina de improvisação a partir de alguns temas e expedientes do teatro de feira com Lúcia Romano (Instituto de Artes da Unesp) e Marcos Francisco Nery (mestre em Artes Cênicas – Instituto de Artes da Unesp).

2º FÓRUM DE TEATRO DE RUA

07/07
Horário: das 9h às 12h
Mesa: A ocupação dos espaços públicos pelo teatro de rua brasileiro: de quem é a rua?
Participantes:
· Ana Rosa Tezza (AVE LOLA e as meninas Produções Artísticas - Curitiba)
· Hélio Fróes (Nu Escuro – Goiânia)
· Lenine Alencar (Federação de Teatro do Acre)
· Licko Turle (Núcleo Nacional de Pesquisadores de Teatro de Rua)
· Lindolfo do Amaral (Grupo Imbuaça – Sergipe)
Mediação: Adailton Alves (mestrando em Artes Cênicas – Instituto de Artes – Unesp.)

Horário: das 14h às 18h:
Rua: Ocupação e expulsão. Táticas de sobrevivência e estratégias de enfrentamento.
Participantes:
Grupos de teatro de rua de São Paulo, Santos, Sorocaba, Presidente Prudente, cidades da grande São Paulo e outros Estados.Mediação: Alexandre Falcão (mestrando em Artes Cênicas – Instituto de Artes – Unesp.)

08/07
Horário: das 9h às 12h
Mesa: “Escambos Estéticos. No entrecruzamento dos fazedores de teatro de rua”.
Adaptação de texto literário para a linguagem teatral. O que determina a forma?
Participantes:
· Dorberto Carvalho - Cia. Insurgente
· Aurea Karpor - Núcleo Cênico Projetobazar
· Trupe Olho da Rua
· Cia. dOs Inventivos
Mediação: Alexandre Mate

Realização:
Instituto de Artes da UNESP
MTR/SP – Movimento de Teatro de Rua de São Paulo
NPPTR - Núcleo Paulistano de Pesquisadores de Teatro de Rua

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Banksy



Nascido em Bristol, Inglaterra, Banksy iniciou cedo sua carreira: aos 14 anos foi expulso da escola e preso por pequenos delitos. Sua identidade é incerta, não costuma dar entrevistas e fez da contravenção uma constante em seu trabalho, sempre provocativo. É um artivista declarado, e uma das principais marcas de seu trabalho é a criação de pequenas intervenções que geram grandes repercussões. Os pais dele não sabem da fama do filho: "Eles pensam que sou um decorador e pintor", declarou. Recentemente, ele trocou 500 CDs da cantora Paris Hilton por cópias adulteradas em lojas de Londres, e colocou no parque de diversões Disney uma estátua-réplica de um prisioneiro de Guantánamo.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Dia 24 de Junho às 18hs Os inventivos aquece os preparativos do V FESTEATRO com o espetáculo "Canteiro" em Paraibuna.



Acertem os ponteiros! Agora é iniciar a contagem regressiva para um dos maiores festivais estudantis e amadores do Vale do Paraíba, o Festeatro, que chega a sua V edição.


Idealizado pela Comissão Setorial de Artes Cênicas, o festival tem como proposta, estimular a produção teatral e a troca de experiência entre grupos estudantis, amadores e profissionais, contribuindo para o fomento e formação de público. Este ano, o festival acontece no período de 08 e 17 de julho, com diversos espetáculos, oficinas e workshops gratuítos, além de integrar 24 horas de apresentações e ações culturais em diferentes palcos, com a realização da 4ª Re-Virada Cultural, reunindo cultura popular, artes visuais, dança, música e teatro, com apresentações e exibições oferecidas gratuitamente a população.


Em sua V edição, o festival consolida-se cada vez mais como um encontro entre arte e cultura, promovendo o intercambio de trabalhos. Este ano, o festival traz 14 grupos vindos de diferentes cidades do Estado de São Paulo; Tendo como foco central a reunião de trabalhos artísticos para apreciação e a troca de conhecimento com todos os fazedores de arte envolvidos: atores, diretores, estudantes, professores, técnicos e, claro, o público, peça fundamental dessa construção

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Cia. Livre realiza palestra, aulas e outras atividades gratuitas



Aulas, palestras, mostra de filmes, leituras dramáticas e ensaios abertos para o público dão start no processo de criação do novo espetáculo da Cia Livre, que tem pesquisa centrada no tema África Brasil / Mestiçagem. As atividades começaram dia 14 de março e continuam até junho. O espetáculo, uma releitura do mito de Édipo, realizada a partir do Estudo Público África-Brasil / Mestiçagem, tem estreia prevista para abril. Veja programação.

- AULAS PÚBLICAS
Segundas-feiras, das 14 às 17h.

Dias: 02 de maio, 09 de maio, 16 de maio, 23 de maio, 30 de maio, 06 de junho, 20 de junho e 27 de junho.
Curso de 4 meses (começou 14 de março) sobre o tema África-Brasil/Mestiçagem, nas áreas de historia, antropologia e artes. Conexões entre o tema e o mito de Édipo Rei.

Coordenação e aulas: Rodrigo Bonciani e Pedro Cesarino.

Professora convidada: Lilia Moritz Schwarcz.

Inscrições – estudo@cialivredeteatro.com.br

- EXPERIMENTOS CÊNICOS
Segundas-feiras, às 20h.


Dias: 28 de março, 11 de abril, 25 de abril, 09 de maio, 23 de maio, 06 de junho, 20 de junho e 27 de junho.
Elaboração cênica dos conteúdos levantados pelas aulas públicas. Ensaios gerais em processo aberto. As deglutições cênicas são criadas e realizadas pela Cia.Livre – Direção: Cibele Forjaz. Direção de arte: Simone Mina. Musica: Lincoln António e Beth Belli. Iluminação: Alessandra Domingues. Atores: Edgar Castro, Eduardo Gomes, Eduardinho Silva, Lucia Romano, Vanderlei Bernardino.

- LEITURAS DRAMÁTICAS
Concepção e realização Cia Livre.


A missão, Heiner Müller. Dia 2 de maio, às 20 horas.

Aruanda, de Joaquim Ribeiro. Dia 16 de maio, às 20 horas.

O Anjo Negro, Nelson Rodrigues. Dia 30 de maio, às 20 horas.

Os Negros, de Jean Genet. Dia 13 de junho, às 20 horas.


- FILMES


O Atlântico Negro: Na Rota dos Orixás, de Renato Barbieri. Dia 29 de abril, às 20h.

Pedra da Memória, de Renata Amaral. Dia 29 de abril, às 21h.

Cobra-Verde, Werner Herzog, Dia 13 de maio, às 20h.

Aruanda, de Linduarte Noronha e Barravento, de Glauber Rocha. Dia 27 de maio, às 20h.

Os Mestres Loucos (+ seleção de curtas), de Jean Rouch.Dia 10 de junho, às 20h.

Terra Deu, Terra Come, de Rodrigo Siqueira. Dia 24 de junho, às 20h.


- PALESTRAS

Arte Africana.

Lise Salum

Dia 06 de maio, às 20h.

Entre a inclusão e a exclusão. Novos projetos da república velha.

Lilia Moritz Schwarcz

Dia 20 de maio, às 20h.

O Complexo de Édipo e outras apropriações.

Miriam Chnaiderman

Dia 03 de junho, às 20h.

Édipo & Anti-Édipo.

Convidado a confirmar.

Dia 17 de junho, às 20h.

Intelectuais negros, modernidade negra e políticas de ação afirmativa.

António Sérgio Guimarães

Dia 01 de julho, às 20h.

SERVIÇO

ESTUDO PÚBLICO ÁFRICA-BRASIL MESTIÇAGEM COM A CIA LIVRE
Casa.Livre. R. Pirineus, 107 – Barra Funda (travessa da Av. São João / Próximo do metrô Marechal Deodoro). Telefone – 3257 6652 / 6430 9916.
Mais informações: www.cialivredeteatro.com.br / estudo@cialivredeteatro.com.br
Toda a programação é grátis.

sábado, 21 de maio de 2011

Jornal da Unesp: Redes colaborativas no teatro paulistano.

Os primeiros quatro anos e a contribuição da Unesp a uma proposta de política de Estado para o setor

Alexandre Mate

“Nosso tema é o óbvio. Acho mesmo que os cientistas
trabalham é com o óbvio. O negócio deles – nosso
negócio – é lidar com o óbvio. Aparentemente, Deus
é muito treteiro, faz as coisas de forma tão recôndita e
disfarçada que se precisa desta categoria de gente – os
cientistas – para ir tirando os véus, desvendando, a fim
de revelar a obviedade do óbvio. O ruim deste procedimento
é que parece um jogo sem fim. De fato, só conseguimos
desmascarar uma obviedade para descobrir
outras, mais óbvias ainda.”
“Sobre o óbvio”, in: Ensaios insólitos, de Darcy Ribeiro.

A história do teatro paulista ainda não foi escrita.
Trata-se de tarefa difícil, na medida em que, infelizmente, as ações e inquietações de tanta gente – que tem necessidade de participar de trocas simbólicas que jamais se esgotarão – não tiveram registro e guarda documental de suas experiências. Pela inexistência de registros, a totalidade das ações desenvolvidas por tantos sujeitos (normalmente artistas amadores) é desconhecida. Fundamentalmente nutrido por atávicos processos de exclusão,os representantes da cultura oficial e hegemônica, ao subtrair da história tantas experiências significativas, (re)constroem uma memória pelo alto, registrando apenas o que lhes interessa,e,ideologicamente,balizando tudo o mais de resto, de obra de qualidade duvidosa, pouco elaborada, fundamentada em estereótipos, datada etc. Como sabe a maioria, rótulos esquadrinham e não promovem embates e cotejos: trata-se de uma facilitação perversa e ideológica.
Dentre outros aspectos, lembra Bakhtin (1992) que todo símbolo reflete e refrata a realidade. Do mesmo modo, um rótulo caracteriza-se sempre em uma refração, que, exatamente por isso, reflete posicionamentos políticos e corolários ideológicos.
Pelo fato de conhecerem o quadro político, grupos de teatro e sujeitos extraordinários (Gianni Ratto, Umberto Magnani,Fernando Peixoto, César Vieira, Aimar Labaki, dentre tantos outros...), em fins da década de 1990, mobilizam-se para enfrentar o mercado e criam um processo de diálogo e de discussão, batizado de Arte Contra a Barbárie. Em 7 de maio de 1999, foi publicado o primeiro manifesto do grupo com o mesmo nome do movimento. A partir daquele momento – fruto de mobilização de parcela da categoria, a história, os modos de produção, a preocupação com a memória e com a documentação –, muito se transforma. A maior das conquistas do grupo foi a criação da Lei Municipal de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo. De modo sucinto, a partir de 2002, selecionados por comissão mista (metade indicada pela Secretaria de Cultura e a outra metade pelo conjunto dos trabalhadores) e um presidente, 30 projetos teatrais (com proposição estética e contrapartida social pertinentes) seriam selecionados por ano, dividindo, então, R$ 6.000.000,00.
Com patrocínio garantido pelo Estado e, também, legitimidade pelo processo de escolha, os grupos selecionados (23 na primeira edição) – e na medida em que a Lei pressupunha continuidade – embrenharam-se na tarefa de construir suas obras e levantar experiências estéticas mais coletivas e significativas desenvolvidas na história. Se até então, de modo mais sistemático,o TUOV (Teatro Popular União e Olho Vivo) se caracterizava na cidade como único grupo a desenvolver um processo rigorosamente coletivo de trabalho – da construção do texto aos processos de debate com as comunidades após os espetáculos –, com a conquista do fomento muito mudou na cidade. Uma rede de criadores, com ações individuais e coletivas, com recuperação de experiências significativas, com a promoção de seminários, debates, oficinas, workshops; publicação de livros, tanto dramatúrgicos como da trajetória dos grupos, atos públicos e políticos...passaram a fazer parte da paisagem da cidade.
De múltiplos e importantes aspectos, ressurge, com força e qualidade estética significativas, o chamado texto colaborativo.
Múltiplas experiências, como aquelas do teatro de agitação e propaganda russo-soviético, passando pelo legado de Enrique Buenaventura e o Teatro Experimental de Cali, as criações coletivas de vários grupos de vanguarda, como aquelas do Living
Theatre... Enfim, com temas candentes aos procedimentos épicos,e a História em muitos casos como protagonista, e paridos a partir das mais diversas formas, autores importantes (como Luís Alberto de Abreu); grupos com mais de trinta anos de história(como o Engenho, o Oficina/Usyna Uzona e o já mencionado TUOV) e novos grupos, como Dolores Boca Aberta, Cia. Do Latão, Cia. Estável, Buraco d’Oráculo, Os Inventivos, Brava Cia., Cia. São Jorge de Variedades, II Trupe de Choque, Cia.Livre, Teatro da Vertigem, Teatro de Narradores... têm dividido todas as tarefas da criação teatral. Nessa perspectiva, ainda que o texto seja assinado por um “autor”, nos grupos citados,o resultado corresponde a um processo de escritura coletiva,cujos assuntos são experimentados improvisacionalmente pelo conjunto de atores e outros criadores, em permanente processo de intercâmbio, horizontalizando as relações de trabalho.
Apesar de os processos de agregação, em si mesmos, não representarem necessariamente qualidade, o trabalho coletivo na cidade de São Paulo tem transformado os conceitos de escritura teatral, potencializando singularidades de cada um no todo,expressando no todo a quebra da divisão reificante de trabalho.

Bibliografia
Bakhtin, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem.
São Paulo: Hucitec, 1992.
Costa, Iná Camargo; Carvalho, Dorberto. A luta dos grupos teatrais de São Paulo por políticas públicas para a cultura: os cinco primeiros anos da lei de fomento ao
teatro. São Paulo: Cooperativa Paulista de Teatro, 2008.
Vieira, César. Em busca de um teatro popular: os 40 anos do TUOV. 4.ª ed.Atualizada. Rio de Janeiro: Funarte,2006.

Alexandre Mate é professor do Instituto de Artes da Unesp

Ocupação e Resistência: Trupe Artemanha é ameaçada de perder espaço, recém ocupado para criação da Escola Popular de Teatro.

Desde o início do ano instalados no espaço Nathalia Rosemburg (espaço público concedido pela subprefeitura), o grupo, juntamente com a subprefeitura, procurava espaço que atendesse ás necessidades de estrutura de uma escola.

O espaço da rua Aroldo de Azevedo, 20, na mesma quadra do espaço Nathalia Rosemburg, foi prédio da subprefeitura durante muito tempo, depois serviu de sede para o Instituto Oca e mais pra frente Uboé. Depois do isso o local ficou abandona até que há cerca de um ano, quando a subprefeitura pegou fogo, serviu de abrigo para o CRAS/Campo Limpo, que pertence a Secretaria de Assistência Social, que se instalou no local por apenas 45 dias, se mudando para prédio próximo particular e deixando no espaço muitos equipamentos e patrimônios públicos já sem uso.

Neste curto tempo em que estiveram no local, o CRAS não realizou melhorias para o prédio que estava com problemas de esgoto, água, luz, cupim e até sofrendo saques e arrombamentos constantemente. O problema de água e luz foi resolvido através de um “gato” e sem nenhuma estrutura, já que as fiações estavam condenadas, correndo risco até de incêndio no local.

Há cerca de dois meses, quando soubemos da contemplação do Programa de Fomento ao teatro para a cidade de São Paulo, que viabiliza a criação da Escola, tivemos uma reunião com o subprefeito do Campo Limpo e o supervisor de Cultura, que alegaram não saber com quem estava as chaves do local e também não ter encontrado nenhum processo jurídico em andamento sobre cessão de uso prédio. Em reunião, acordamos que a Trupe faria no espaço, a Escola e iniciamos a parte legal de documentação para cessão de uso do espaço.

Como os trâmites burocráticos são lentos, mesmo sem a cessão oficial, trocamos as fechaduras e entramos no espaço para dar início aos reparos. O que encontramos foi um prédio completamente abandonado, sendo destruído por cupins, com o esgoto entupido causando enorme mau cheiro, focos de dengue e de bichos (ao lado da creche!), nenhuma estrutura de banheiros (todos arrebentados), com problemas de fiação, lixo e uma dívida de luz e água ainda da época da Uboé.

Há vinte dias, os dez integrantes da Trupe realizam os reparos de pintura, limpeza, higienização, organização do patrimônio abandonado em uma única sala, compra de equipamentos e de vasos sanitários, tintas, fios... toda preparação para colocar a escola em funcionamento.

Neste momento, o CRAS reivindica a posse do espaço, alegando invasão da trupe (que rompeu as fechaduras) e inclusive acusando os integrantes de furto do patrimônio público, devido ao sumiço de equipamentos como um microondas, que já não estavam no local quando a Trupe entrou, provavelmente por conta dos saques e arrombamentos ocorridos durante o abandono.

A subprefeitura apóia nossa permanência no local, mas está marcada reunião com representantes do CRAS, da trupe e da subprefeitura para semana que vem, quando as questões serão esclarecidas.

Importante salientar que por toda cidade de São Paulo, são inúmeros os prédios, casas, fábricas antigas, espaços públicos que estão completamente abandonados e sem uso e que poderiam servir para sedes de grupos, criação de centros culturais, projetos sociais... trabalhos de relevância para a comunidade e que trariam inúmeras transformações sociais, políticas e culturais, no local e nas proximidades.

Há já alguns grupos em diferentes regiões que realizam trabalhos incríveis com a comunidade, a partir do teatro e da arte, em espaços antes ociosos e que foram ocupados e a história é sempre a mesma. Assim que o trabalho se inicia, o espaço abandona vira motivo de disputa por diversos tipos de poderes, que até então não se mobilizavam para qualquer espécie de melhoria ou utilização da área.

Fiquemos atentos: de maneira geral, pode-se definir espaço público em um espaço central que dá realidade material e simbólica a cidade, ou seja, entendendo-o como um território específico dotado de suas próprias marcas e signos de delimitação e que é pensado como plural e condensador do vínculo entre a sociedade, o território e a política de forma democrática.

Também são espaços de livre acessibilidade, de uso comum dos cidadãos e de coesão da sociedade, apresentando como características o fato de ser geral (refere-se a cidade como uma totalidade), coletivo (para uso e desfrute de todos os habitantes), comum (pertence aos cidadãos e são regidos pelo direito público) e representam uma hierarquia no ordenamento urbano (corresponde a interesses superiores por representar o bem comum). Ainda, o espaço público constitui a cidade tanto em sua dimensão físico-espacial quanto sociocultural, sendo que os processos que ali se desenvolvem são capazes de dar sentido à vida pública dos cidadãos.

É dever e direito nosso intervir em situações em que o Espaço Público está sendo destruído e onde inúmeras possibilidades de trocas e de experiências riquíssimas: culturais, sociais, de lazer, que poderiam representar forte potencial transformador nas comunidades, são desperdiçadas e ignoradas.


Para mais informações sobre o trabalho da Trupe Artemanha e a Escola Popular de Teatro: www.escolacita.blogspot.com ou www.trupeartemanha.com.br

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Nos dias 4 e 5 de junho Os inventivos apresenta o espetáculo Canteiro no Engenho Teatral.



Os Inventivos circula no mês de Junho pela Zona Leste da capital.Nos dias 4 e 5 de Junho estaremos no espaço do Engenho Teatral.Logo em seguida às 19hs acontece o espetáculo do Engenho "Pequenas histórias que à História não contam"

Dias 4 e 5 de Junho às 16hs
"Canteiro" Livremente inspirado em 'Viva o Povo Brasileiro" de João Ubaldo Ribeiro.
Local: Metrô Carrão- Rua Monte serrat,230- Tel.(11)5514-6435/5890-0507.

Espetáculo"Pequenas histórias que a historia não contam" do Grupo Engenho Teatral.

O show da vida: na TV, na internet, nas capas de revista, o sucesso!
Que cada um escolha o seu sonho. Mas que vida e chances reais a sociedade oferece aos jovens de periferia hoje?
“pequenas histórias…” coloca no palco personagens, suas esperanças e (falta de) perspectivas, confrontando a impossibilidade do sucesso individual para a maioria e a impensável discussão de um projeto coletivo e solidário.
Não é, portanto, um espetáculo sobre pessoas excluídas da sociedade, e sim um espetáculo sobre uma sociedade que exclui pessoas.

Mais informações sobre o Engenho teatral: wwww.engenhoteatral.wordpress.com

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Corporeidade Poética: Transcendendo o Corpo Partindo da Ancestralidade Africana

Sons. Ritmos. Batuques. Poemas. Versos. Frases. Corpos. Corporeidades. Gestos. Ancestralidades. O contra-saber não é um saber contra, mas sim um saber que se constrói na contra mão daquilo que é considerado como norma. Refletir o poema, o som, o corpo e o gesto dentro da Pedagogia da Ancestralidade, é enxergar novas formas de se construir saberes e conhecimentos diversos. Aos interessados, a roupa, própria para o movimento, será fundamental nesse dia, assim como uma toalha. O conhecimento que visa ser de corpo inteiro é ato de convivência. É revolucionário porque se afirma no encontro poético com a sua e a minha natureza. Venha preparado para doar seu corpo e sua energia.

Palestrante

- Kiusam de Oliveira: Escritora, autora do livro Omo-Oba: Histórias de Princesas (Mazza Edições), recomendado pela FNLIJ/2010 e selecionado pelo PNBE/2010. Arte-educadora, bailarina e coreógrafa. Professora. Doutora em Educação e Mestre em Psicologia pela USP. Pedagoga especialista em Deficiência Mental e Orientação Educacional. Assessora na Secretaria de Cultura de Diadema/SP. Especialista nas temáticas de gênero, raça, identidades negras, corporeidade afrobrasileira, candomblé de ketu e educação. Diretora do Programa de Rádio Povinho de Ketu. Site: www.kiusam.com.br

Arte-Educadores (as) e Especialistas Convidados (as)

- José Geraldo Neres: Poeta, roteirista, dramaturgo e produtor cultural. Autor dos livros de poesia: Pássaros de Papel (Dulcinéia Catadora, 2007), Outros Silêncios, Prêmio ProAC da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo 2008, (Escrituras Editora, 2009). Seu livro Olhos de Barro recebeu menção especial na 3ª edição do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura (ficção - 2010). Blog: http://neres-outrossilencios.blogspot.com

- Edleuza Ferreira da Silva: Licenciada em Língua Portuguesa. Doutora em Educação. Monitora do Núcleo da Palavra do Laboratório Experimental de Arte-Educação & Cultura da Faculdade-Lab_Arte de Educação da USP e instrutora da Escola de Formação do Servidor da Prefeitura da Cidade de São Paulo. Especialista em orientação de leitura e redação para disléxicos e pessoas com déficit de atenção e estrangeiros. Revisora. E-mail: edleuzaferreira@terra.com.br

- Radi Oliveira: Pedagoga, arte-educadora, poetiza, produtora cultural, coordenadora de projetos culturais do Centro Educacional Unificado – CEU Alvarenga. E-mail: radi_oliveira@yahoo.com.br

Percussionistas

- Patrícia Vianna: Arte-educadora graduada em linguagens da arte e pós-graduada em arte-educação. Musicista especialista em percussão brasileira. E-mail: patibatuca@hotmail.com

- Ogan Robson: Ogan e percussionista do Grupo Omo-Ilú. Instrutor de capoeira. E-mail: Robson-barreto@ig.com.br

Mediador

- Oscar D´Ambrósio: Mestre em Artes – UNESP/Campus São Paulo, Crítico de Arte, Escritor, Jornalista e Coordenador de Imprensa/Reitoria da UNESP. E-mail: odambros@reitoria.unesp.br


Inscrições gratuitas c/ Sandra Santos pelo e-mail: ssantos@cedem.unesp.br

Data e horário: 12 de maio de 2011 (quinta-feira) às 18h30

Local: CEDEM-Praça da Sé, 108 – auditório no 7º andar (metrô Sé)

(11) 3105 - 9903 - www.cedem.unesp.br

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Carta Capital - trecho da edição de Abril sobre o Teatro de rua.

Teatro de rua resiste nas grandes cidades

Geralmente sem contar com incentivos governamentais, vários grupos atuam em espaços públicos, debatem questões sociais e levam a arte para as comunidades.

Por Paula Salati

Pelos asfaltos, praças e parques das cidades brasileiras ocorre uma das mais antigas manifestações populares do mundo: o teatro de rua. Marcados por uma diversificada produção de dramaturgia e estética, um dos elementos que unifica a existência da maioria dos grupos de teatro de rua é a opção política que realizam no campo das artes. Ir para as ruas e para os espaços públicos e gratuitos não significa falta de alternativa e espaço nas grandes salas comerciais de espetáculos. Na verdade, é uma escolha de artistas que decidiram caminhar na contramão da mercantilização da arte e fazer da rua um espaço mais democrático.

Adailton Alves, ator do grupo Buraco D’Oráculo – coletivo teatral que há nove anos atua e vive em São Miguel Paulista, leste da cidade de São Paulo – considera que o teatro de rua é capaz de modificar o espaço da cidade. “Em uma sociedade capitalista, a rua serve para escoar mercadoria e mão de obra. E quando você se coloca nesse espaço, você desorganiza isso. De transeunte, a pessoa se torna assistente de uma obra teatral e, neste momento, há uma troca simbólica entre artista e público”, diz Adailton.

O ator conta que, em uma das apresentações do espetáculo Ser TÃO Ser, Narrativas de Outras Margens – peça do grupo que fala sobre a habitação nas periferias –, um morador de rua entrou em cena desesperado para socorrer a atriz Lú Coelho, que encenava a morte de uma mulher em um confronto policial, ocorrido em uma ocupação de moradia. O teatro de rua faz com que o indivíduo “passe a ser solicitado, ele não é rechaçado. Para as outras coisas da vida, ele precisa pedir licença e concessão”, declara Alexandre Mate, pesquisador de teatro e professor do Instituto de Artes da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP).

Cultura Popular

Mais do que levar arte à população das cidades e das periferias, muitos grupos de teatro de rua constroem os seus textos e sua estética a partir de elementos da tradição popular e regional do local em que atuam. O grupo sergipano Imbuaça, por exemplo, desde a sua fundação, em 1977, tem como principal objeto de pesquisa a cultura popular. “No nosso repertório, sempre temos espetáculos cuja dramaturgia é inspirada nos folhetos de Cordel”, conta Lindolfo Amaral, um dos diretores do grupo que tem sede no bairro de Santo Antônio, em Aracaju.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sexta-Feira dia 06/05 tem "Canteiro" às 20hs no Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes.

Fotos da apresentação feitas pelo Grupo Dolores.



Os Inventivos circula no mês de Maio pela Zona Leste da capital.Nesta sexta-feira estaremos no espaço do grupo Dolores.

Dia 06 de Maio às 20hs.
"Canteiro" Livremente inspirado em 'Viva o Povo Brasileiro" de João Ubaldo Ribeiro.
Local: Metrô Patriarca - Rua Frederico Brotero, 60 - Tel.113433-8083

Saiba mais sobre o Grupo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes.

O Dolores configura-se como um grupo de trabalhadores que exerce, entre todos os percalços, o direito de expressar o mundo que lhe atravessa através da arte. Como trabalhadores, nos movimentamos enquanto classe e assumimos as consequências que esta posição política nos coloca.
A afirmação de trabalhadores que fazem arte tem total influência e consequência nas elaborações estéticas, tanto no tempo e na técnica do fazer quanto na leitura simbólica do mundo. Percebemos em nossa caminhada de 10 anos que este processo influi nas lutas e nas possibilidades de uma proposição social diferente desta em que contribuímos com a manutenção, abrindo brechas ou fissuras que inauguram porvires cotidianos junto com a reprodução. Esta contradição posta e assumida dá a chance de saltos de qualidade na construção do caminho da revolução social proposta pela classe trabalhadora. Somos companheiros de movimentos sociais, construímos e assumimos juntos a luta nas suas diversas dimensões.

Mais informações no blog: www.doloresbocaaberta.blogspot.com