domingo, 29 de agosto de 2010

Em Setembro, encontro de fazedores,pensadores e interessados no teatro a céu aberto: "Escambos Estéticos-No entrecruzamento dos fazedores de Rua"

Escambos Estéticos-"No entrecruzamento dos fazedores de Rua".

Dia 30 de setembro de 2010 às 19HS.

Tema: Apropriação do Rural no/pelo Urbano

Convidados:

Alberto Ikeda
Marianna Monteiro
Ednaldo Freire

Mediação: Alexandre Mate

Local: Instituto de Artes da Unesp I Sala 413 - 4º andar I metrô Barra Funda

Esse encontro faz parte do projeto "Viva o Povo Brasileiro!" pelo Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

sábado, 28 de agosto de 2010

Um pequena jóia em São Paulo: Grupo Pró-Posição



Grupo Pró-Posição apresenta:
LinhaGens
Janice Vieira e Andréia Nhur

De 26 a 29 de agosto. Quinta a sábado, 20h, domingo, 19h. Galeria Olido. Avenida, São João, 473. Tel.: 3331-8399 e 3397-0171.Grátis.

De 10 a 12 de setembro. Sexta e sábado, 21h, e domingo, 20h. Viga
Espaço Cênico - Sala Piscina. Rua Capote Valente,
1.323. Tel.: 3801-1843.R$ 10,00 e R$ 5,00

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O Chapéu e a arte de rua

O teatro e os artistas que fazem arte de rua vêm conseguindo com significativo êxito, nos últimos anos, seu reconhecimento em projetos governamentais e junto a empresas que investem em cultura. Este reconhecimento faz com que instituições que antes davam atenção apenas ao teatro de palco, recebam também os grupos e trabalhos de teatro de rua.

O teatro de rua, entretanto, tem uma importante tradição: a passada do chapéu. Esta prática tradicional, milenar, tem sido proibida, coibida ou evitada em alguns desses novos locais de apresentação, talvez por não ser compreendida como uma tradição artística com raízes históricas, mas apenas como um pedido de dinheiro ao público. O artista de rua não depende apenas dos projetos e das instituições que os contratam, mas sim da população, que é o berço de seu trabalho. A relação que esse artista estabelece com o público que o assiste é de uma ordem diversa daquela instituída nos palcos fechados, onde o pagamento do espetáculo se dá antes mesmo da apresentação.

O próprio “pagamento” na rua adquire um valor simbólico, como um exercício de troca, de afeto entre iguais em um determinado instante. Afeto que se materializa não somente em dinheiro, mas em balas, sacos de pipoca, apertos de mão, panfletos e pequenas histórias, partes daquele instante, que concretizam a presença do espectador enquanto parte viva e ativa do espetáculo e não apenas enquanto simples “pagante”.

Além disso, o chapéu também tem importância dentro da “dramaturgia” de muitos espetáculos. Muitas são as variações criadas para a passada do chapéu: músicas, cenas, interrupções do roteiro ou partes propositais dentro do próprio espetáculo. A criatividade e a arte de ganhar o seu sustento são características inerentes ao artista que trabalha na rua.

Nesse sentido, a coibição dessa prática é muito negativa na educação e formação do público para valorização desta arte, quando feita na rua, e também na quebra e desrespeito a esta tradição. Não é apenas uma questão de manter uma tradição por seu charme medieval, mas sim de manter uma relação com o público que é fundamental para o reconhecimento desses artistas de rua.

Esse ato tem caráter de defesa de um posicionamento que a arte de rua deve viver da rua e seus simbolismos, construídos historicamente.

Tomar essa posição significa dizer que o artista de rua não pretende migrar para as salas e ambientes tradicionais das artes cênicas, mas sim, manter seus pilares em sua origem que é chegar sempre em locais onde a arte não chega.

Esta carta tem o objetivo de orientar artistas e interessados em compreender que “passar o chapéu” é um ato de preservação do teatro e da arte de rua que tem como prioridade o espaço público de praças, ruas e demais logradouros por princípios estéticos, de conteúdo artístico, político e baseados nos direitos humanos universais sobre o acesso aos bens culturais.

Solicitamos o reconhecimento da legitimidade, do princípio ético e pedagógico contido no ato de passar o chapéu independente da política e de normas institucionais que restrinjam essa prática inerente ao artista de rua.



Movimento de Teatro de Rua de São Paulo

Núcleo Regional de Pesquisadores de Teatro de Rua

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

ARTISTAS MORREM EM FRENTE À PREFEITURA!

Artistas do MTR/SP (Movimento de Teatro de Rua de São Paulo) morrem simbolicamente no próximo dia 23 em ATO PÚBLICO pelo cumprimento da Constituição Brasileira.
“é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”
Constituição Brasileira, artigo 5º termo IX
No dia 23 de agosto (Dia do Artista e Dia Contra a Injustiça), no Largo do Paissandu, a partir das 10h, em São Paulo, os grupos de teatro de rua do MTR/SP darão início a uma manifestação repleta de intervenções artísticas, em conjunto com a Rede Brasileira de Teatro de Rua, a favor da liberação dos espaços públicos abertos (ruas, praças, vielas, jardins, parques) para realização das suas atividades artísticas. A manifestação será feita por todo o país.
Em São Paulo estão confirmadas as presenças dos grupos:

Buraco d'Oráculo
Cia As Marias
Cia dos Inventivos
Cia do Miolo
Como Lá em Casa
Grupo Teatral Parlendas
Mamulengo da Folia
Núcleo Cênico ProjetoBaZar
Núcleo Pavanelli
Pombas Urbanas
Populacho e Pic Nic
Trupe Artemanha
TUOV (Teatro União e Olho Vivo)

Os artistas seguirão em cortejo até a Praça Patriarca e o ponto alto da programação será por volta das 14h, horário em que os participantes se deitarão em frente ao prédio da prefeitura de São Paulo, montando um cemitério cênico repleto de cruzes brancas em um ato simbólico de morte do artista popular. Neste momento ocorrerá leitura a população de uma Carta Aberta (que será encaminhada aos Prefeitos, Governadores, Secretários de Cultura, MinC, FUNARTE, Conselho Nacional de Política Cultural, Conselhos Municipais e Estaduais de Cultura, vereadores, deputados e senadores).
Outras cidades do Estado de São Paulo se mobilizarão simultaneamente conforme descrito abaixo:
Em SOROCABA o grupo Nativos Terra Rasgada fará mobilização, juntamente com outros grupos da cidade, na Praça Coronel Fernando Prestes (Centro) mantendo os mesmos horários e ações da capital.
Em PRESIDENTE PRUDENTE os grupos Circo Teatro Rosa dos Ventos, Os Mamatchas e outros grupos integrantes da Federação Prudentina de Teatro marcarão presença com banda e na companhia lúdica do bonecão caricatura “Secontrário de Cultura”. Os locais da manifestação serão as entradas: do Teatro Municipal e Teatro César Cava no horário de abertura dos espetáculos do FENTEPP (Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente), que terá início no dia 20 de Agosto e cuja programação detalhada ainda não foi divulgada no site oficial do evento, fato questionado pelos grupos envolvidos na manifestação.

SOBRE O MTR / SP
O Movimento de Teatro de Rua da Cidade de São Paulo (existente desde 2002) agrega diferentes grupos e companhias de teatro de rua, pensadores e afins que visam a construção de políticas públicas permanentes que garantam a continuidade de pesquisa, produção e circulação do teatro de rua nessa cidade. O Movimento propõe ações que possibilitam o desenvolvimento de reflexões sobre o teatro de rua em âmbito nacional, bem como sobre sua relação com a cidade. Os integrantes do movimento de teatro de rua da cidade de São Paulo defendem a valorização do espaço público aberto como local de criação, expressão e encontro, compreendendo que assim esse espaço torna-se ambiente propício à ampliação da cidadania de quem com ele se relaciona.

Realizações:
- 1º Seminário de Teatro de Rua (2003);
- Overdose de Teatro de Rua – 5 edições;
- 1ª Temporada de Teatro de Rua de São Paulo (2004);
- MOSTRA DE TEATRO DE RUA LINO ROJAS – 4 edições (a 5ª edição ocorrerá ainda em 2010)
- Revista Arte e Resistência – 2 edições;
- Participação na criação da Rede Brasileira de Teatro de Rua.

Sobre a RBTR (Rede Brasileira de Teatro de Rua)
Criada em 2007, a Rede Brasileira de Teatro de Rua é atualmente formada por movimentos e grupos de 27 estados brasileiros. Já realizou sete encontros, trazendo inclusive grupos da Argentina e da Colômbia para os debates.
A Rede Brasileira de Teatro de Rua é um espaço físico e virtual de organização horizontal, sem hierarquia, democrático e inclusivo
SERVIÇO
Manifestação a favor da liberação dos espaços públicos abertos para a realização de atividades artísticas.

São Paulo (capital)
Dia 23 de Agosto de 2010
Horário: Das 10h às 14h.
Local: Largo do Paissandu (concentração) seguindo em cortejo até a Praça do Patriarca (centro de São Paulo)
CONTATO: Aurea Karpor (11) 8337-5168 – aurea@projetobazar.com.br

Sorocaba
Dia 23 de Agosto de 2010
Horário: Das 10h às 14h.
Local: Praça Coronel Fernando Prestes (centro)
CONTATO: Flávio Melo (15) 9748-3690 – flavio@nativosterrarasgada.com.br

Presidente Prudente
Dia 23 de Agosto de 2010
Horário: início dos espetáculos do FENTEPP
Local: Entrada dos Teatros:
Teatro Municipal Procópio Ferreira - Piso inferior da Prefeitura Municipal de Pres. Prudente – SP - Av. Cel. José Soares Marcondes, n° 1200 – Centro
Teatro César Cavas - Rua José Bongiovane, 700
CONTATO: Lois (18) 9747-6867 – lpvalente@hotmail.com

TODOS ESTÃO CONVIDADOS A PARTICIPAR!!!
MTR/SP
HTTP://mtrsaopaulo.blogspot.com

Estamos contra a tirania do Secontrário Fabio Matarazzo.



Texto de Antonio Sobreira (sou eu mesmo)R

reenvie essa mensagem aos prudentinos de coragem, atados e desatados"Escreva sobre o riacho da tua cidade e falará ao universo" (Mais ou menos Alguém)

Não falaremos do poluído córrego dos Veados em Presidente Prudente, falaremos ao universo de agentes culturais que acreditam fazer cultura, centralizando recursos, decisões e opiniões em todo canto do Brasil.Falaremos da famosa Secontraria de Cultura de Presidente Prudente, regida pelo Conde Fábio Matarazzo e sei que falaremos de tua vila.Coisas que podemos falar para ampliar o acervo daLISTA DO CONDE PARA REPRESENTAÇÃO POR CALÚNIA E DIFAMAÇÃO(para nos brindar com fama política em Prudente)Há algo estranho no reino da Dinamarca! (Seu Zé, esquina bemtevi, 2010)1. É desconhecido o montante de recursos destinados à cultura em nosso Condado PP;2. São desconhecidas as destinações das verbas e empresas beneficiadas;3. Não há estudos sobre a efetividade de aplicação dos recursos;4. É questionável a fonte de dados sobre o 3% de recursos aplicados do orçamento municipal para cultura; IPEA diz que somo o oitavo município do Brasil (rs rs rs rs);5. A apreciação de políticas e programas de cultura é feita sob bases desconhecidas;6. Os únicos avaliadores da política cultural são os JORNAIS que não fazem a cobrança da efetivação dos pronunciamentos do Conde Matarazzo;7. Recusa em debater com legislativo sobre a Lei Complementar (n°174-07/2010) para nova composição do Conselho Municipal de Cultura.8. Esgoelamento do Conselho Municipal de Cultura (COMUC) ativo entre 2009 e 2010;9. Oferecimento de informação inverídica à Câmara de Vereadores (inatividade do COMUC 2009/2010);10. Esfolamento da classe teatral desde o manifesto de 2008 “Tijolo Não Faz Arte”;11. Castração da mostra prudentina de teatro paralela ao FENTEPP sem explicação oficial;12. Sepultamento do Festival Nacional de Música sem explicação oficial;13. Cadaverização das orquestras municipais por extermínio orçamentário;14. Criação de orquestras por capricho pessoal, sem metas, planos e prosseguimento orçamentário;15. Bombardeamento na imprensa de informações extra-oficias sem sua assinatura e documentação publica oficial e disponível;16. Corpo mole para a realização do Fórum Municipal de Cultura;17. Congelamento de relações com os grupos de teatro resistentes ao Conde de Janeiro até julho de 2010;18. Política de molha mão/cala boca da classe artística que não é apoiada por um plano municipal de cultura. A elite política de Presidente Prudente acredita que se o Conde Matarazzo Nougueira oferecer um montante para um grupo, para um artista, para o balé, para a música equivale a fazer política. Com essa forma de destinar verbas não planejadas por um plano democraticamente elaborado, muitos se calam!Talvez nada disso contenha ilegalidade, mas é imoral, personalista e por tudo isso anti-democrático!Por essas dúvidas todas........Contra a extra-oficialidade de informação!Contra falta de transparência com recursos públicos!Contra o uso indevido da Bíblia!Contra a prática do molha mão/cala boca!EPor um Fórum Municipal de Cultura!A tirania é um hábito com a propriedade de se desenvolver e dilatar a ponto de tornar-se doença. Dostoiévski

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Trupe Olho da Rua - "Batatas, Pinheiros e Outras Histórias"


Sextas e Sábados pelo bairro de Pinheiros e SESC.Dia(s) 20/08, 28/08, 04/09, 10/09, 18/09 e 24/09 Sextas às 12h e 17hSábados às 11h e 14h

Dolores Boca Aberta reestréia a Saga do menino diamante - Uma Ópera Periférica


Reestréia da Saga do menino diamante - Uma Ópera Periférica
De 3 de junho a dia 21 de agosto de 2010, aos sábados estaremos apresentando a Saga do menino Diamante no CDC Patriarca, rua Frederico brotero, 60.Início às 22horas e término às 4horas da manhã. (são 1h40 de apresentação do primeiro ato e o segundo ato é uma festa)Cheguem um pouquinho antes e venham bem agasalhados.
INFORMAÇÕES: 11-3433-8083

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

PRIMEIRO FÓRUM DE TEATRO DE RUA DO NÚCLEO REGIONAL DE PESQUISADORES (SP) - 29, 30 E 31 DE JULHO DE 2010

ALGUMAS DELIBERAÇÕES E SUGESTÕES PARA DISCUSSÃO COM OUTROS SEGMENTOS PARA ENCAMINHAMENTOS.

Durante três dias, o estar junto e a reflexão tiveram um significativo e prazeroso significado. Encontro com iguais e curiosos, o Primeiro Fórum de Teatro de Rua, organizado pelo Movimento de Teatro de Rua de São Paulo e pelo Núcleo Regional de Pesquisadores de Teatro de Rua (SP) conseguiu tentos absolutamente significativos. Com número de participação variando entre 50 e 100 pessoas, por período (e foram 6 períodos - excetuando-se a noite de sexta-feira, em que houve o lançamento do segundo número da revista Arte e Resistência na Rua), o evento passou por questões importantes e resolveu encaminhá-las para discussão, organização dos sujeitos inseridos e interessados no processo e encaminhamentos necessários.
De modo geral, tendo em vista a programação do evento - dividindo reflexão principalmente dialógica (muitos dos fazedores de teatro de rua participaram das cinco mesas) e outras atividades (intervenções artísticas, coletas de relatos,[1] lançamento de revista, ida a espetáculos) - a crítica ao evento foi bastante positiva.
Em 29/07, fruto das discussões, foram destacados os seguintes pontos:
- dificuldade muito maior para o grupo existir do que para produzir seus espetáculos. A dificuldade decorre, sobretudo, das distintas e sempre presentes formas de repressão.
Ação I. A primeira ação coletiva proposta a todos foi: montar uma espécie de dossiê, construído coletivamente a partir de relatos de experiências dos companheiros que já passaram por problemas com as autoridades cerceadoras. Nesses relatos, a ideia é apresentar os estratagemas de que se lançou mão para socialização das táticas de conquista àqueles que passam pelos mesmos problemas. Esta ação será centralizada por Simone Pavanelli. Alexandre Mate, conforme compromisso público fará a redação final.
- denúncia quanto às proibições de passar o chapéu ao fim do espetáculo (em São Paulo: SESCs e projeto Teatro nos Parques). No sentido de criar uma carta-documento (de protesto contra este tipo de arbítrio), o companheiro Antônio Sobreira, do grupo Rosa dos Ventos (Presidente Prudente), escreveu a carta abaixo que, em curto espaço de tempo, deverá receber acréscimos para encaminhamento às instituições que se arrogam ao direito de impor “seus pontos de vista” triturando uma significativa tradição e história. Apresenta a carta:
O Chapéu e a arte de rua
O teatro e os artistas que fazem arte de rua têm seu reconhecimento em projetos governamentais, empresas que investem em cultura. Com esse reconhecimento é comum que o teatro de rua seja recebido por instituições que antes davam mais atenção ao teatro de palco.
O teatro de rua, entretanto, tem uma importante tradição com seu público que é o “passar o chapéu” ao final da apresentação. Esta prática tradicional, cuja documentação histórica remonta ao período medieval, tem sido proibida, coibida ou evitada em alguns desses novos locais de apresentação.
O artista de rua não depende apenas dos projetos e das instituições que os contratam, mas sim da população que é o berço e companheiro de seu trabalho. Nesse sentido, ser coibida a passagem do chapéu tem uma função negativa para a educação do público no que concerne à valorizar a arte apresentada na rua.
Não é apenas uma questão de manter uma tradição por seu charme medieval, mas sim de garantir a auto sustentação da arte e manter uma relação com o público que é fundamental para o reconhecimento desses artistas de rua.
Esse ato tem caráter de defesa de um posicionamento segundo o qual a arte de rua deve viver da rua. Tomada essa posição, significa dizer que esse movimento não pretende migrar para as salas e ambientes tradicionais para as artes cênicas, mas sim, manter seus pilares em sua origem que é chegar sempre em locais que a arte dificilmente consegue chegar.
Esta carta tem o objetivo de orientar artistas e interessados em compreender que “passar o chapéu” é um ato de preservação do teatro e da arte de rua que tem como prioridade as trocas de experiência nos espaços públicos por princípios estéticos, de conteúdo artístico, político e baseados nos direitos humanos universais sobre o acesso aos bens culturais.
Diante do exposto, solicitamos o reconhecimento da legitimidade, do princípio ético e pedagógico contido no ato de passar o chapéu ou outro procedimento que peça de forma espontânea que as pessoas contribuam com a arte de rua, independente da política e de normas institucionais que restrinjam essa prática inerente ao artista de rua.


Ação II. Portanto, como segunda tarefa de todos, compreendendo apresentar acréscimos e sugestões à carta ela encontra-se aqui anexada. Esta ação pode ser centralizada pela sempre querida companheira Simone Brites Pavanelli.
Ação III. Criação de comissão de representação do Núcleo Regional de Pesquisadores de Teatro de Rua (SP) para administrar, encaminhar gestões, socializar informações acerca dos fazedores de teatro de rua. Nas decisões sugeridas de sábado, 31/07, no primeiro andar do Teatro de Arena Eugênio Kusnet, com mais de 30 pessoas presentes, deliberou-se:
- comissão jurídica, centralizada em Romualdo Bacco e Cícero Almeida (ambos do Teatro Popular União e Olho Vivo) para gerir, sugerir, delegar e socializar encaminhamentos de natureza legal. Cabe à esta comissão a análise e divulgação de procedimentos jurídicos indicando normas, leis, pareceres, indicativos para resolução de problemas ligados aos corpus jurídicos constitucionais.
Fundamental que esta comissão possa estar afinada à OAB, ao departamento jurídico da Cooperativa Paulista de Teatro e outras instituições afins.
- comissão de imprensa, formada por Áurea Karpor (Bazar), Natália Siufi (Parlendas), Luciano Santiago (Artemanha).
- comissão de representação nacional e internacional, formada por Marcos Pavanelli (Núcleo Pavanelli), Oswaldo Pinheiro (Cia. Estável) para promover gestões junto aos poderes constituídos: audiências públicas, ida e organização de comissão para discutir com instâncias do poder municipal, estadual e federal.
- comissão de produção de vídeo, constituída pelo sempre presente Fernando Mastrocola e Rogério Ramos (Trupe Olho da Rua). Dentre as principais incumbências, foi tirada uma proposta de coleta de imagens para criação de um vídeo-denúncia de atos arbitrários contra os criadores.
Ação IV. Escrever uma carta conclamando e estimulando, nas cidades onde houver alguma articulação e artistas militantes, a criação de núcleos regionais de pesquisadores em teatro de rua.
Desse modo, a carta abaixo, escrita pela sempre presente companheira do Tá na Rua, Jussara Trindade, caracteriza-se em uma primeira proposta de conclamação. Assim, em prazo relativamente curto, algumas sugestões podem ser acrescentadas à carta para que possamos colocá-la em diferentes fontes documentais como blogs, jornais e boletins de grupos, jornais locais: cidades, universidades etc.
Para organizar as sugestões, enviar propostas para a comissão de imprensa.

Caros companheiros do Núcleo,
Nos dias 29, 30 e 31/07 tive o prazer de participar das atividades do 1º Fórum do Núcleo Regional de Pesquisadores de Teatro de Rua (SP), evento articulado à 5ª Mostra de Teatro de Rua Lino Rojas, em São Paulo. Foram três dias de debates sobre vários temas de interesse para a nossa prática artística que finalizou com a constatação de que o Núcleo de Nacional de Pesquisadores torna-se, cada vez mais, um espaço de reflexão fundamental para a construção de um novo pensamento teatral no País, processo no qual o teatro de rua adquire hoje extrema importância.
Nesse sentido, somente com o esforço de pesquisadores de todos os Estados alcançaremos o patamar que almejamos - dar visibilidade e legitimidade aos saberes que sustentam o nosso fazer teatral.
Por isso, faz-se necessária a criação de Núcleos Regionais, no sentido estrito de buscarmos a união entre os pesquisadores que se encontram espalhados pelo País, a fim de fortalecermos nacionalmente as nossas convicções. Ainda que a tarefa seja difícil - em função do número reduzido de pesquisadores, em alguns Estados da Federação - talvez já seja possível congregar alguns integrantes que, a exemplo de São Paulo, estejam interessados em trocar experiências, formar grupos de estudo ou realizar outro tipo de compartilhamento permanente, não necessariamente atrelado a um evento maior.
Enfim, a experiência da criação do Núcleo Regional de Pesquisadores de Teatro de Rua (SP) mostra que esse é um caminho possível para o crescimento coletivo, onde todos podem aprender e ensinar simultaneamente.
A proposta que trago do Fórum é esta: vamos trocar ideias a respeito?


Ação V. Criação de comissão para levantamento, organização e socialização de textos escritos para teatro de rua: tanto textos teatrais prontos como roteiros. Estão nesta comissão: Alexandre Mate (Núcleos Nacional e Regional), Aurea Karpor (Bazar), Marcelo Palmares (Pombas Urbanas), Natália Siufi (Parlendas), Patrícia Caetano (Bando La Trupe), Renata Lemes (Cia. do Miolo), Romualdo Bacco (União e Olho Vivo). Aventou-se, também, a hipótese de manter alguma gestão com entidades internacionais, a exemplo do Centro Latinoamericano de Criación e Investigación Teatral, nascido em Caracas, mas sediado atualmente em Buenos Aires e que tem um excelente banco de textos de toda a América Latina. Para quem ainda não conhece, o endereço eletrônico é www.celcit.org.ar
Ação VI. continuar o processo de estudos de grupo de pesquisas que vem se desenvolvendo desde fevereiro de 2010; criar novo grupo de pesquisa sobre o trabalho de análise crítica dos espetáculos de rua. Caso a ação se efetive ainda este ano, com os colaboradores dos espetáculos apresentados na Mostra Lino Rojas, as reflexões daí decorrentes devem ser espalhadas para o MTR.
Intervenções dos palestrantes
Como aspectos citados pelos diversos palestrantes e convidados, tivemos:
- teatro de rua precisa apropriar-se das experiências postas na/pela rua. A história do Brasil pode e deve fazer parte de sua dramaturgia, sempre em perspectiva aproximada da contemporaneidade. Clareza quanto ao que se quer falar: a rua é um espaço por excelência político. Destas considerações, é fundamental (seminal): não é possível ir para as ruas sem alguma consciência política.
- teatro de rua, muitas vezes, caracteriza-se em projeto de vida. Então, como os commedianti dell’arte devem treinar permanentemente. Nesse particular, o treinamento se caracteriza também como clarificador do conteúdo.
- prestar atenção às teses de Mikhail Bakhtin e à dramaturgia de Luís Alberto de Abreu.
- os artistas de rua devem observar os tipos características da rua: camelôs, feirantes, vendedores ambulantes, os pregadores... A transformação do lugar indistinto, que é o logradouro público, precisa transformar-se em um espaço de troca, conciliando o físico e o metafórico. Na rua, os artistas precisam assumir a rua: geográfico e poeticamente. Os espaços públicos, abandonados ou desfavoráveis à população, precisam ser retomados e ocupados com ajuda da comunidade.
- as experiências dos grupos de rua precisam pautar-se e aprimorar as relações horizontais do coletivo criador. Nesse particular, é preciso considerar os gostares e quereres de cada um.
- grupos de teatro, independentemente de serem de rua ou de outras naturezas, precisam considerar e levar em consideração a crítica. A escuta é fundamental nesse processo. Depois de o resultado estar pronto (o espetáculo) o público da rua é aliado significativo.
Relatos de participantes
Durante os três dias, em meio às discussões ou nos intervalos delas, um grupo de aproximadamente 10 belas atrizes colheram relatos dos participantes do fórum acerca de suas primeiras experiências, como espectadores de teatro de rua. Esse material será revisado pela dramaturga Daniela Rosa e por Alexandre Mate. Posteriormente, e dando continuidade ao processo de coleta de relatos, pretende-se publicar um Diário de espectadores (à semelhança dos diários dos viajantes estrangeiros).

Alexandre Mate
05/08/2010: frio de derreter os ossos!
[1] Mais adiante se explicitará o pressuposto e os desdobramentos desta ação.