sexta-feira, 25 de junho de 2010

Kantor na Antropofágica

Kantor na Antropofágica
Seminário: Tadeusz Kantor Vinte Anos Depois, com Michal Kobialka.Encontro e Demonstração de Trabalho, com Ludmila Ryba.DE 13 A 18 DE JULHO DE 2010 NO ESPAÇO PYNDORAMACuradoria: Thiago Reis Vasconcelos e Marcia de Barros

Agenda do Seminário
Terça 13/07 às 19h30: Topografia da Representação – Realidade Anexada
Quarta 14/07 às 19h30: Historiografia Espacial (do teatro) 1 – A Classe Morta
Quinta 15/07 e Sexta 16/07 às 19h30: Teatro da Similitude – O quarto de memórias: Wielopole, Wielopole, Que Morram os Artistas e Aqui Não Volto Mais.
Domingo 18/07 às 17h00: O espaço de Khora – Esquecendo Kantor: Hoje é Meu Aniversário.

Demonstração de Trabalho
Sábado 17/07 às 15h00: Encontro com Ludmila Ryba e Demonstração de Trabalho resultante do workshop: Uma viagem com as malas de Kantor.
Local e Reservas
Espaço Cultural Pyndorama. Rua Turiassú, 481 – Perdizes (Próximo ao metrô Barra Funda).Reservas e informações: 11 3871-0373. Entrada franca. Vagas limitadas.

Mais sobre o seminário.
Conhecemos Michal Kobialka, professor de Teatro no Departamento de Teatro Artes e Dança da Universidade de Minnesota e escritor de dois livros e diversos artigos acadêmicos sobre Tadeusz Kantor, quando ele veio ao Brasil para ministrar um seminário e, por indicação, veio conhecer nosso trabalho no Espaço Pyndorama em dezembro de 2007, quando assistiu a um ensaio da peça Os Náufragos da Rua Constança, seguido de um debate entre Kobialka e o elenco da Antropofágica.
O texto a seguir é uma tradução livre do texto escrito pelo professor Kobialka especificamente para o projeto Liberdade em Pi(y)ndorama, com o intuito de definir o seminário que ministrará sobre Tadeusz Kantor e o conteúdo teórico da oficina que será realizada por Ludmila Ryba.
Tadeusz Kantor: Vinte anos depois
Tadeusz kantor ( 1915- 1990), artista plástico e diretor de teatro polonês, pode ser colocado no seleto grupo dos artistas de teatro mais influentes do século XX. Seu trabalho na companhia Cricot 2 e suas teorias sobre teatro tem não somente desafiado mas também expandido as fronteiras das formas teatrais tradicionais e não-tradicionais.
Kantor foi pintor, diretor de teatro, cenógrafo, ator, escritor e teórico. Seus experimentos com técnicas de pintura foram continuados no palco e vice versa, seus cenários dos anos cinqüenta continham muitas das suas idéias sobre os atributos de espaço que ele havia apresentado nos seus quadros, e seus escritos sobre uma produção eram não somente um registro do que acontecia em cena, mas também proveram um background teórico para o entendimento das mudanças nas suas teorias teatrais.
A abrangência e diversidade de seus esforços artísticos o alinham com artistas tão diversos quanto, por exemplo, Stanislaw Ignacy Witkiewicz (Witkacy), Marcel Duchamp, Vsevelod Meyerhold, Oscar Schlemmer, Antonin Artaud, Jackson Pollock, Jerzy Grotowski, Christo, Allan Kaprow, Peter Brook, ou Robert Wilson. De maneira importante, Kantor foi posicionado nos movimentos de vanguarda representados por esses artistas.
Ele começou a pintar e encenar peças durante a revolução modernista que havia sido instigado pela primeira onda de vanguarda na França, na União Soviética e Polônia entre as décadas de 1920 e 1930. Suas experimentações com arte informal, embalagens e happenings aconteceram entre as décadas de 1950 e 1960, ou seja, na época do pós guerra europeu e na segunda onda de vanguarda americana. Suas produções mais conhecidas fora da polônia, The Dead Class (1975), Wielopole, Wielopole (1980), Let the Artists Die (1985), I Shall Never Return (1988), e Today is my Birthday (1990) coexistiram com diversas formas de teatro e arte pós modernos.
O ano de 2010 será o ano de pelo menos cinco aniversários ou comemorações associados a Tadeusz Kantor e seu teatro:
55º aniversário da fundação da companhia de teatro Cricot2;
35º aniversário da peça The Dead Class;
30º aniversário de Wielopole, Wielopole;
25º aniversário de Let the Artists Die;
e o 20º aniversário da morte de Tadeusz Kantor.
Para comemorar o vigésimo aniversário da morte de Tadeusz Kantor, este seminário será focado em uma re-apreciação crítica do trabalho de Kantor. Alguns tópicos incluídos são:
práticas representacionais de Kantor e performances/artes plásticas de vanguarda no séc. XX
novas abordagens críticas e teóricas ao teatro, artes plásticas e modos de representação de Kantor
o papel da história, tradição, memória, mito, morte, e realidade cotidiana no teatro e artes visuais de Kantor;
espaço, objeto, corpo, no teatro e artes plásticas em Kantor;
escritos teóricos e poéticos em Kantor;
uma apreciação crítica específica dos teatros de Kantor: autônomo, informal, zero, happening, impossível;
uma apreciação crítica específica do teatro da memória/essencial de Kantor.
Sobre Michal Kobialka
Michal Kobialka é um professor de Teatro no Departamento de Teatro Artes e Dança da Universidade de Minnesota.
Publicou mais de 75 artigos, ensaios e resenhas em Årsberetning (Denmark), Assaph (Israel), Journal of Dramatic Theory and Criticism, Journal of Theatre and Drama (Israel), Medieval Perspectives, Modern Drama (Canada), Performing Arts Journal, Performance Research (England), Theatre Annual, Sala Preta (Brazil), The Drama Review, Theatre Journal, Theatre History Studies, Theatre Nordic Studies (Sweden), Theatre Research International (England), Theatre Survey, Slavic and East European Journal, Soviet and East-European Performance, and Modern Language Quarterly. Ele apresentou artigos sobre o teatro medieval, contemporâneo e europeu, e historiografia do teatro em várias conferências nacionais e internacionais.
É o autor de dois livros sobre o teatro de Tadeusz Kantor, A Journey Through Other Spaces: Essays and Manifestos, 1944-1990 (University of California Press, 1993) e Further on, Nothing: Tadeusz Kantor’s Theatre (University of Minnesota Press, 2009). É editor de Of Borders and Thresholds: Theatre History, Practice, and Theory (University of Minnesota Press, 1999) e co-editor (com Barbara Hanawalt) de Medieval Practices of Space (University of Minnesota Press, 2000). Seu livro sobre drama medieval e teatro, This Is My Body: Representational Practices in the Early Middle Ages (University of Michigan Press, 1999) recebeu o prêmio 2000 ATHE Annual Research Award for Outstanding Book in Theatre Practice and Pedagogy.
Ele ocupou a cadeira McKnight Land-Grant Professorship (1991-1993; University of Minnesota), o Fesler-Lampert Professorship em Humanas (2003-04, University of Minnesota), a Hoffman Chair na Florida State University (2004-05), a Belle van Zuylen Cátedra Utrecht University (2008-09), e foi designado como Scholar of the College no College of Liberal Arts, University of Minnesota (2007-10).
Uma viagem com as malas de Kantor, oficina com Ludmila Ryba
Entendemos que, para prosseguir com a pesquisa a respeito do teatro de Tadeusz Kantor, é necessário ir além do âmbito teórico: é vital devorar a arte de Kantor também através de experiências práticas de compartilhamento artístico. Por isso receberemos a atriz e ex-integrante da companhia Cricot 2 de teatro, de Tadeusz Kantor, para uma oficina.
Esta oficina tem por intuito o envolvimento crítico com o tratamento dado por Kantor ao trabalho do ator, ao espaço e aos objetos. Usando as peças de Kantor desde The Dead Class até Today is my Birthday, que serão exibidos durante as palestras de Michal Kobialka, Ludmila Ryba vai discutir os conceitos e idéias seminais de Kantor e como eles foram materializados no palco. Tendo trabalhado com Kantor, e tendo compartilhado suas percepções sobre a prática de Kantor com estudantes e profissionais de teatro na França, Itália, e nos Estados Unidos sob a forma de oficinas, Ludimila oferece uma combinação única de uma compreensão teórica e vivência prática do teatro de Kantor.
O texto a seguir foi escrito por Ludmila Ryba, especificamente para o projeto Liberdade em Pi(y)ndorama.
Uma viagem com as malas de Kantor, por Ludmila Ryba
“Malas cheias, mas de que? Do fardo dos objetos (companheiros essenciais do ator), de disfarces, de clowneries, de espectros do teatro?
Uma viagem sobre as tábuas da ribalta para abordar alguns aspectos fundamentais da obra do teatro de Tadeusz Kantor, para compreender o seu modo particular de conceber o ator e o espaço que habita.
Através de exercícios e improvisações, explorar e experimentar a vasta área do objeto no universo kantoriano.
Uma viagem não para aprender uma técnica ou um “método” como Kantor mesmo nunca procurou nem quis estabelecer, mas para ser um momento de suas malas a caminho… ou seja… infectar-se com a sua radical atitude artística”
Sobre Ludmila Ryba
Ludmila Ryba, nasceu na Polônia e tem morado na Itália desde 1973, foi membro da companhia Cricot 2 de teatro de Tadeusz Kantor. Integrou-se à companhia em 1979 onde permaneceu até 1992, atuando em Wielopole Wielopole, The machine of love and death, I shall never return e Today is my birthday. Também foi intérprete de Kantor e sua assistente durante suas oficinas em Milão (1986) e em Avignon (1990). Juntamente com outros ex-atores do Cricot 2, ela conduziu várias oficinas de teatro na Itália e na França. Desde 1994 ela trabalha na França com “Compagnie du Singulier”, criado por Marie Vayssière, também uma ex-atriz Cricot 2.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Carta do 7º Encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua-Canoas/RS

Carta do Rio Grande do Sul
A Rede Brasileira de Teatro de Rua reunida em Canoas, Rio Grande do Sul, de 01 a 06 de maio de 2010, em seu 7º Encontro reafirma sua missão de:
Contribuir para o desenvolvimento do fazer teatral de rua no Brasil e na América Latina;
Lutar por políticas públicas culturais com investimento direto do Estado, por meio de fundos públicos de cultura, garantindo assim o direito à produção e ao acesso aos bens culturais a todos os cidadãos brasileiros;
Possibilitar as trocas de experiências artísticas entre os grupos de teatro da rede;
Reafirmar a necessidade de uma nova ordem por um mundo socialmente justo e igualitário.
A Rede Brasileira de Teatro de Rua, criada em março de 2007, em Salvador/Bahia, é um espaço físico e virtual de organização horizontal, sem hierarquia, democrático e inclusivo. Todos os artistas-trabalhadores, grupos de rua e afins pertencentes a RBTR podem e devem ser seus articuladores para, assim, ampliar e capilarizar, cada vez mais, suas ações e pensamentos.
O intercâmbio da Rede Brasileira de Teatro de Rua ocorre de forma presencial e virtual, entretanto toda e qualquer deliberação é feita nos encontros presenciais, sendo que seus membros farão, ao menos, dois encontros anuais de forma rotativa de maneira a contemplar todas as regiões do país. Os articuladores de todos os Estados, bem como os coletivos regionais, deverão se organizar para participarem dos encontros.
Os articuladores da Rede Brasileira de Teatro de Rua, com o objetivo de construir políticas públicas culturais mais democráticas e inclusivas, defendem:
Pela imediata regularização da ocupação definitiva do Hospital Psiquiátrico São Pedro, pelos grupos: Oigalê, Povo da Rua, Caixa Preta, Falus & Stercus e Neelic, que tem sua origem e desenvolvem seu trabalho artístico e cultural na cidade de Porto Alegre/RS.
A representação do teatro de rua nos colegiados setoriais e conselhos das instâncias Municipal, Estadual e Federal;
A aprovação e regulamentação imediata da PEC 150/03 (atual PEC 147), que vincula para a cultura, o mínimo de 2% do orçamento da União, 1,5% no orçamento dos estados e Distrito Federal e 1% no orçamento dos municípios;
Reformulação da lei 8.666/93 das licitações, convênios e contratos, com a criação de um capítulo específico para as atividades artísticas e culturais, que contemple nas alterações, a extinção de todas e quaisquer formas de contraprestação, considerando que o trabalho artístico de rua já cumpre função social.
A extinção da Lei Rouanet e de quaisquer mecanismos de financiamentos que utilizem a renúncia fiscal, por compreendermos que a utilização da verba pública deve se dar através do financiamento direto do Estado, por meios de programas e editais em formas de prêmios elaborados pelos segmentos organizados da sociedade;
A criação de programas específicos que contemplem: produção, circulação, formação, registro e memória, manutenção, pesquisa, intercâmbio, vivência, mostras e encontros de teatro de rua.
Criação de um programa interministerial (MINC/MINISTÉRIO DAS CIDADES) em parceria com os Estados e Municípios para a construção e/ou reforma de espaços públicos (praças, parques e outros), adequando-os as necessidades dos artistas e trabalhadores das Artes de Rua, além da inclusão imediata destes espaços no programa de construção dos equipamentos culturais do PAC.
Que os espaços públicos (ruas, praças, parques, entre outros), sejam considerados equipamentos culturais e assim contemplados na elaboração de editais públicos, Plano Nacional de Cultura e outros;
Garantir a aplicação dos recursos obtidos através da extração do petróleo na região pré-sal, para o teatro de rua.
A criação de um programa nacional de ocupação de propriedades públicas ociosas, para sede do trabalho e pesquisa dos grupos de teatro de rua;
A extinção de todas e quaisquer cobranças de taxas, bem como a desburocratização para as apresentações de artistas-trabalhadores, grupos de rua e afins, garantindo assim, o direito de ir e vir e a livre expressão artística, em conformidade com o artigo 5º da Constituição Federal Brasileira;
Que os editais para as artes sejam transformados em leis para garantia de sua continuidade, levando em consideração as especificidades de cada região (ex: custo amazônico);
Que os editais Myriam Muniz e Artes Cênicas de Rua sejam publicados no primeiro trimestre de cada ano com maior aporte de verbas e que seja publicada a lista de projetos contemplados e suplentes, e a divulgação de parecer técnico de todos os projetos avaliados;
Criar, dentro do fundo setorial de artes cênicas, o edital: “Prêmio Brasileiro de Teatro de Rua”, levando em conta as especificidades de cada região, bem como a ação continuada e comprovada de grupos, cias, coletivos e artistas conforme proposta da Rede Brasileira de Teatro de Rua;
Que os editais sejam regionalizados e sejam criadas comissões igualmente regionalizadas e indicadas pelos artistas, bem como a criação de mecanismos de acompanhamento e assessoramento dos artistas-trabalhadores e grupos de teatro de rua e afins;
Promover o maior intercâmbio entre o Brasil e demais países da América Latina, através de programas específicos;
Que as estatais contemplem com equidade, em seus editais, o teatro de rua, respeitando o critério de regionalização;
O direito à indicação de representantes do teatro de rua nas comissões regionalizadas dos editais públicos;
Exigimos o apoio financeiro da Funarte aos Encontros Nacionais e Internacionais de Teatro de Rua, tendo como foco a América Latina, no valor equivalente ao montante que é repassado àqueles realizados pela Associação dos Festivais Internacionais de Artes Cênicas do Brasil.
Que seja incluído dentro das Universidades, instituições de ensino e escolas técnicas, matérias referentes ao estudo do Teatro de Rua, da Cultura Popular Brasileira e do teatro da América Latina.
A valorização e financiamento das publicações e estudos de materiais específicos sobre teatro de rua e manifestações da cultura popular, respeitando sua forma de saber enquanto registro.
Que o MINC realize uma reforma na diretoria de Artes Cênicas da FUNARTE, transformando as atuais coordenações em diretorias setoriais de Teatro, Circo e Dança.
Inclusão dos programas setoriais nos mecanismos do Procultura;
O 8º Encontro de Articuladores da Rede Brasileira de Teatro de Rua acontecerá em Campo Grande, Mato Grosso do Sul concluindo o ciclo de encontros presenciais em todas as regiões do Brasil.
O Teatro de Rua é um símbolo de resistência artística, comunicador e gerador de sentido, além de ser propositor de novas razões no uso dos espaços públicos abertos. Assim, instituímos o dia 27 de março, dia mundial do teatro e dia nacional do circo, como o dia de mobilização nacional por políticas públicas, e conclamamos os artistas-trabalhadores, grupos de rua e afins e a população brasileira a lutarem pelo direito à cultura e à vida.
Reunidos nestes 6 dias, ficou decidida a localidade do próximo encontro, que será sediado na região Centro Oeste, no Estado do Mato Grosso do Sul.
“A rua é sempre o firmamento de toda arte”
Ray Lima
06 de maio de 2010
Canoas / RS
Rede Brasileira de Teatro de Rua