Viva o Povo Brasileiro! é o desdobramento das questões que despontaram no decorrer do 1º projeto "VIVA O POVO BRASILEIRO" e que naquele momento não puderam ser aprofundadas por conta do cumprimento do calendário de montagem e apresentação do espetáculo Canteiro, aprovado pelo projeto PROAC/2008, primeiro fruto desta pesquisa que reúne uma somatória de posições criticas acerca do Brasil de hoje. Debruçar-se agora sobre essas questões em aberto, que indicam um caminho e um universo para o aprofundamento de nossa pesquisa, é a nossa finalidade. O espaço da pesquisa estética, do ensaio, da criação, da rua como um processo aberto, continuará sendo compartilhado com diferentes interlocutores, e é esse escambo de experiências que alimenta o trabalho de criação e investigação da Cia. dos Inventivos. Tendo como eixo organizador a livre leitura cênica do universo literário de João Ubaldo na obra VIVA O POVO BRASILEIRO, obra que dá nome ao nosso projeto, o trabalho de pesquisa continuada da Cia dos Inventivos acerca das possibilidades do teatro de rua segue em direção a outros olhares, outros pontos de vista que nos ajudem a desvelar as tensões dialéticas da desigual sociedade brasileira.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Dia 17 de março - Lançamento da Revista "Bandido É quem Anda em Bando" com a participação da Karroça Antropofágica.



Bandido é Quem Anda Em Bando com a participação especial da Cia.Antropofágica

Sinopse do espetáculo.

Em uma das muitas praças da cidade, a normalidade é interrompida pelo protesto de um ativista das redes sociais que, com veemência, denuncia uma chacina ocorrida naquele local na noite anterior. Aponta para o fato de que, ironicamente, um palanque fora montado exatamente no local onde ele, o jovem militante, afirma ter acontecido o assassinato... de um grupo de sem-tetos que ali pernoitavam. Logo outros passantes se envolvem na discussão, e descobrem que todos eles, de uma maneira ou de outra, possuiam alguma relação com o crime. Mas a articulação de uma ação conjunta não é tarefa das mais fáceis, já que as ideologias e convicções pessoais mostram-se pouco permeáveis. Quando o diálogo se revela quase inviável, um fato novo, a apreensão violenta da mercadoria de uma vendedora ambulante, desempregada e mãe de dois filhos, faz emergir a necessidade de um vínculo entre aqueles indivíduos, única forma de fazer frente à barbárie que a todos quer engolir.

Quando:17 de março
Horario:14hs
Local: Praça Miguel Dell'Erba (Em frente ao Terminal da Lapa - Zona Oeste)
Distribuição gratuita da revista - Tiragem 300 exemplares.



UMA TRILOGIA EM HOMENAGEM AO POVO BRASILEIRO

O projeto teatral "Viva o Povo Brasileiro!" objetiva a montagem de uma trilogia livremente inspirada no romance épico "Viva o Povo Brasileiro", de João Ubaldo Ribeiro. No primeiro espetáculo da trilogia, denominado “Canteiro”, trabalhadores de um canteiro de obras se perguntam: quem escolhe o que come? Neste segundo trabalho, Bandido é Quem Anda Em Bando, a Companhia dos Inventivos problematiza alguns dos impasses vividos por quem vive à margem do sistema, no confronto com o brutalizante cotidiano da metrópole. O terceiro espetáculo está previsto para 2013.



DIREÇÃO: EDGAR CASTRO
ASSISTENTE DE DIREÇÃO: RANIERE GUERRA
ELENCO: AYSHA NASCIMENTO, FLÁVIO RODRIGUES,LUCIANA YUMI YARA,MARCOS DI FERREIRA E RÔMULO ALBUQUERQUE
ORIENTAÇÃO DA PESQUISA: ALEXANDRE MATE
DRAMATURGISTA: ROGÉRIO GUARAPIRAM
DIREÇÃO DE ARTE E ADEREÇOS: JULIO DOCJAR
DIREÇÃO MUSICAL: RANIERE GUERRA E RÔMULO ALBUQUERQUE
ESTUDOS DRAMATURGICOS: CALIXTO DE INHAMUS
PREPARAÇÃO DOS ATORES: EDUARDO OKAMOTO
PREPARAÇÃO CORPORAL: MARCIO GREYK E PEDRO PEU
PREPARAÇÃO VOCAL: RANIERE GUERRA
TREINAMENTO BUFÃO: DANIELA CARMONA E ADRIANO BASEGIO
TREINAMENTO MAMULENGO:DANILO CAVALCANTE
LETRAS DAS MÚSICAS: COMPANHIA DOS INVENTIVOS
EFEITOS SONOROS: RÔMULO ALBUQUERQUE E RICARDO DUTRA
COSTUREIRA: LECI DE ANDRADE
ARTISTA GRÁFICO: MURILO THAVEIRA
ASSESSORIA DE IMPRENSA: ANDRÉ MORETTI
REALIZAÇÃO :COMPANHIA DOS INVENTIVOS

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

3ª Mostra de Teatro Olho da Rua e 10º Encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua - Carta de Santos/SP


Particpação dOs Inventivos na 3ª Mostra Olho da Rua com o espetáculo "Bandido é quem anda em Bando" foto Bob Sousa



REDE BRASILEIRA DE TEATRO DE RUA

Carta de Santos

A Rede Brasileira de Teatro de Rua - RBTR, criada em março de 2007, em Salvador/BA, é um espaço físico e virtual de organização horizontal, sem hierarquia, democrático e inclusivo. Todos os grupos de teatro, artistas-trabalhadores, pesquisadores e pensadores envolvidos com o fazer artístico da rua, pertencentes à RBTR podem e devem ser seus articuladores para, assim, ampliar e capilarizar, cada vez mais, reflexões e pensamentos, com encontros, movimentos e ações em suas localidades.
O intercâmbio da Rede Brasileira de Teatro de Rua ocorre de forma presencial e virtual, entretanto toda e qualquer deliberação é feita nos encontros presenciais, sendo que seus articuladores farão, ao menos, dois encontros anuais de forma rotativa de maneira a contemplar todas as regiões brasileiras, valorizando as necessidades mais urgentes do país. Os articuladores de todos os Estados, bem como os coletivos regionais, deverão se organizar para garantir a participação nos encontros, além da continuidade dos trabalhos iniciados nos Grupos de Trabalhos (GT´s), a saber: 1) Política e Ações estratégicas; 2) Pesquisa; 3) Colaboração artística; 4) Comunicação.
A Rede Brasileira de Teatro de Rua reunida de 26 a 30 de janeiro de 2012, no Centro de Formação para Apostolado de Santos (CEFAS), na cidade de Santos/SP, em seu 10º Encontro reafirma sua missão de:
· Lutar por um mundo socialmente justo e igualitário que respeite as diversidades;
·Contribuir para o desenvolvimento do fazer teatral de rua, possibilitando as trocas de experiências artísticas e políticas entre os articuladores da rede;
· Lutar por políticas públicas culturais com investimento direto do Estado por meio de fundos públicos de cultura, garantindo assim o direito à produção e ao acesso aos bens culturais a todos os cidadãos brasileiros;
· Lutar pelo livre uso dos espaços públicos abertos, garantindo a prática artística e respeitando as especificidades dos diversos segmentos das artes cênicas, em acordo com o artigo 5° da constituição brasileira.

Os articuladores da Rede Brasileira de Teatro de Rua, com o objetivo de construir políticas públicas culturais mais democráticas e inclusivas, defendem:
· A criação da lei que instituirá o Programa de Fomento ao Teatro de Grupo e que a mesma assegure a participação do teatro de rua e contemple: produção, circulação, formação, trabalho continuado, registro e memória, manutenção, pesquisa, intercâmbio, vivência, mostras e encontros de teatro, levando em consideração as especificidades de cada região (ex: custo amazônico);
· Debater e criar junto ao poder público marcos legais para a plena utilização dos espaços públicos abertos, extinguindo todas e quaisquer cobranças de taxas, bem como a excessiva burocracia para as apresentações de artistas-trabalhadores de rua;
· Ocupar prédios passíveis de serem considerados de utilidade pública e que não cumprem sua função social, transformando-os em sedes de grupos que desenvolvam ações continuadas;
· Que os editais federais sejam publicados no primeiro trimestre de cada ano com maior aporte de verbas, liberadas sem atrasos, respeitando-se os prazos estipulados pelo edital e a publicação da lista de projetos contemplados e suplentes, e a divulgação de parecer técnico de todos os projetos avaliados pela comissão;
· Que os editais sejam estruturados e divididos, pensando as realidades de cada Estado, e que sejam criadas comissões igualmente regionalizadas e indicadas pelos movimentos artísticos organizados de cada região, bem como a criação de mecanismos de acompanhamento e assessoramento dos artistas-trabalhadores e grupos fazedores das artes cênicas da rua;
· A representatividade do teatro de rua nos colegiados setoriais e conselhos das instâncias Municipal, Estadual e Federal;
· A aprovação e regulamentação imediata da PEC 150/03 (atual PEC 147), que vincula para a cultura, o mínimo de 2% do orçamento da União, 1,5% do orçamento dos estados e Distrito Federal e 1% do orçamento dos municípios;
· A criação de uma legislação específica para a cultura, já que a lei 8.666/93 não contempla as especificidades da área cultural;
· A extinção da Lei Rouanet e de quaisquer mecanismos de financiamentos que utilizem a renúncia fiscal, por compreendermos que a utilização da verba pública deve ocorrer por meio do financiamento direto do Estado, através de programas e editais em formas de prêmios elaborados pelos segmentos organizados da sociedade;
· Que sejam incluídas dentro das Universidades, instituições de ensino e escolas técnicas, matérias referentes ao estudo do Teatro de Rua, da Cultura Popular Brasileira e do teatro da América Latina;
· A valorização e financiamento das publicações e estudos de materiais específicos sobre teatro de rua e manifestações da cultura popular e sua distribuição, respeitando sua forma de saber enquanto registro.
Frente a um processo histórico, que prima pela higienização e pela criminalização dos movimentos sociais, a RBTR apóia e defende a luta da Associação dos Cortiços do Centro de Santos, que lutam pelo direito à moradia digna.
Defendemos também a ampliação dos recursos disponibilizados ao Fundo Municipal de Cultura de Santos, e que os mesmos sejam disponibilizados por meio de editais públicos, de forma transparente e com a participação da sociedade civil organizada. Defendemos, ainda, avanços no processo democrático popular que envolve o Conselho Municipal de Cultura de Santos.
O Teatro de Rua é um símbolo de resistência artística, comunicador e gerador de sentido, além de ser propositor de novas razões no uso dos espaços públicos abertos. Assim, instituímos o dia 27 de março, dia mundial do teatro e dia nacional do circo, como o dia de mobilização nacional por políticas públicas, e conclamamos os artistas- trabalhadores de rua e a população brasileira a lutarem pelo direito à cultura e à vida.

Reunidos nestes cinco dias, deliberou-se que o próximo encontro, em 2012, será sediado na cidades de João Pessoa\PB, nos dias 20, 21, 22 e 23 de setembro.

“Teatro só faz sentido quando é uma tribuna livre onde se podem discutir até as últimas conseqüências os problemas do homem.”
Plínio Marcos


30 de janeiro de 2012
Santos/SP

domingo, 22 de janeiro de 2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

De 26 a 30 de janeiro acontece: 3ª Mostra de Teatro Olho da Rua e X Encontro de Articuladores da Rede Brasileira de Teatro de Rua.



3ª Mostra de Teatro Olho da Rua &
X Encontro de Articuladores da Rede Brasileira de Teatro de Rua
26 de janeiro (quinta-feira)

· 9h30 às 12h30 Abertura Encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua
· 15h Oficina com Cia Boccaccione no Parque Municipal Roberto Mário Santini (Emissário Submarino - José Menino)

· 16h30 Apresentação do "Terra Papagalli"-Trupe Olho da Rua no Parque Municipal Roberto Mário Santini (Emissário Submarino - José Menino)
· 18h Apresentação do "UBU REI"-Cia Boccaccione no Parque Municipal Roberto Mário Santini (Emissário Submarino - José Menino)
· 22h Apresentação Pré - estreia do "Corinthians Meu Amor"- Brava Cia no Teatro Aberto/Praça dos Andradas 101/102 (ao lado do Teatro Guarany)
· 00h Troca Troca no CEFAS - Rua Vasco da Gama nº87-Jabaquara

27 de janeiro (sexta-feira)


· 9h às 12h Encontro da RBTR no CEFAS
· 14h às 17h Mesa-Tema: Visões Críticas para Teatro de Rua no SESC-Santos com Walmir Santos, Alexandre Mate e Beth Néspoli-mediação Zeca Sampaio.
Rua Conselheiro Ribas 136
· 17h30 Apresentação do "Patologias"-Patos Mojados na Fonte do Sapo-Orla da Praia na Aparecida
· 22h Apresentação "Bandido é quem anda em Bando" da Cia dos Inventivos na frente da Estação do Valongo-Centro· 00h Troca Troca no CEFAS - Rua Vasco da Gama nº87-Jabaquara

Dia 28 de janeiro (sábado)

· 9h às 12h Encontro da RBTR no CEFAS.
· 14h às 17h Mesa-Tema: Trocas de Experiências de Teatro de Rua no SESC Santos com César Vieira e Ligia Veiga-mediação Alexandre Mate.
Rua Conselheiro Ribas 136
· 17h30 Apresentação do Núcleo Pavanelli-"Aqui não senhor Patrão!" na Fonte do Sapo-Orla da Praia na Aparecida
· 20h Apresentação do Grupo Off Sina-"E o Palhaço o que é?" na Praça da Vila Gilda-Zona Noroeste
· 00h Troca Troca no CEFAS - Rua Vasco da Gama nº87-Jabaquara


Dia 29 de janeiro (domingo)

· 11h Lançamento do Livro “Bandido é quem anda em Bando”
· 14h às 17h Encontro da RBTR no CEFAS
· 18h Apresentação do "Saltimbembe Mambembancos" do Circo Teatro Rosa dos Ventos- no Conjunto Vanguarda-Rua General Câmara 410
· 19h Apresentação da "Karroça Antropofágica"-Cia Antropofágica pelas ruas General Câmara/Rua Drº Cochrane/Rua Iguatemy Martins no Paquetá - em direção a Praça Nagasaki (ao lado do Mercado Municipal)
· 20h Apresentação da "Homem Cavalo & Sociedade Anônima" -Cia Estável na Praça Nagasaki- ao lado do Mercado Municipal.

· 00h Troca Troca no CEFAS - Rua Vasco da Gama nº87-Jabaquara


Dia 30 de janeiro (segunda-feira)
X Encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua no CEFAS.
Horários deste dia serão definidos nas rodas que antecedem este dia.


Em caso de chuva as apresentações serão transferidas para locais cobertos e publicada no blog até 3 horas antes.

Video "Ensaio Bandido"



Ensaios realizados no Largo São Bento em São Paulo,registrados gentilmente por Manu Muniz.

domingo, 20 de novembro de 2011

"BANDIDO É QUEM ANDA EM BANDO" novo espetáculo de rua.



“BANDIDO É QUEM ANDA EM BANDO” Cia dos Inventivos

Quando: 21 de Novembro/2011
Onde: Pátio do Colégio - centro - São Paulo/SP
horário:11hs

Quando: 23 de Novembro/2011
Onde: Largo São Bento - centro - São Paulo/SP
horário:10hs

"Ocupação Artística dos Espaços Públicos"

É fundamental a presença de todos e a maior divulgação possível, pois este seminário servirá para divulgar e, principalmente, demonstrar o apoio da categoria e da população ao Projeto de Lei Municipal 489/2011, que trata da liberdade de expressão artística dos artistas de rua. Esse projeto de lei tem como objetivo ampliar e reforçar de forma definitiva o decreto assinado por Kassab em junho, que era um tanto limitado e, mais importante, temporário.

Das 13h30 às 18h - Câmara Municipal de São paulo

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Crítica de Kiko Rieser sobre o espetáculo "Canteiro" durante 2ª Mostra Olho da Rua - 11 a 13 de Fevereiro de 2011 - Santos/SP

edição nº01/julho 2011 / 2ªMostra Olho da Rua

Uma mostra que evidencia muito

Kiko Rieser

Mostras de teatro, em geral, mais do que permitir que diversos espetáculos se tornem acessíveis a determinado público (e, costumeiramente, muitos trabalhos vêm de outros estados e, às vezes, até de outros países), permitem que se trace um panorama de determinado segmento ou linguagem, pois uma boa curadoria agrupa trabalhos que têm entre si alguma relação formal ou temática. A 2ª Mostra de Teatro Olho da Rua, organizada pela Trupe Olho da Rua, vem evidenciar as similaridades entre os grupos, que têm em comum não só elementos de composição da cena, mas também modo de produção e assuntos abordados. Talvez tamanha semelhança entre as dez montagens apresentadas responda a uma pergunta feita durante um dos debates da mostra: teatro de rua é linguagem? As interpretações arquetípicas, épicas e de gestos grandes para competir com a prolixidade visual da rua; o uso intenso da música executada ao vivo; a alusão ou mesmo vivificação de mitos e lendas populares; o humor; a interação com o público; todos estes elementos estão presentes na totalidade dos espetáculos apresentados. Em quase todos, dramaturgia colaborativa e temas explicitamente políticos, parodiando ou radiografando a macroestrutura social.

CRÍTICA DO ESPETACULO "CANTEIRO"

O primeiro espetáculo apresentado na mostra, Canteiro, da Cia dos Inventivos (de São Paulo), já apresenta o caráter fortemente político como pedra fundamental que pressupõe o direcionamento a um público pertencente a uma classe social historicamente explorada. Primeira parte de uma trilogia livremente inspirada na obra Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro, a dramaturgia colaborativa com finalização de Daniela Rosa contempla a fatia do livro dedicada aos “comedores de restos” (as outras duas, abarcadas nos futuros espetáculos da trilogia, são os “comedores de oferendas” – deuses – e os “vampiros” – exploradores da mão-de-obra alheia). O texto é formado basicamente por quatro histórias que não se interseccionam, mas fazem parte do mesmo campo ficcional, pois são compartilhadas por quatro operários de construção que, durante o almoço, se vêem fartos de comer sempre a mesma marmita e então se lançam a pergunta: quem escolhe o que come?
Ao contar uns aos outros lendas populares abrangendo o tema, eles se intrometem na narrativa alheia, chegando mesmo a mudar o final como lhes convém. Passam a “bola” a outros narradores, delegam-se personagens, param para cantar quando precisam descontrair e mantêm o tempo todo o caráter de jogo, acentuado pela direção de Edgar Castro. Não se sentem presos à reconstituição fiel dos fatos, pois, mesmo inconscientemente, acreditam no seu poder de fazerem eles mesmos – o povo – a História, e de absorvê-la da melhor forma que lhes cabe, corrigindo em alguma medida uma falha apontada por uma personagem da peça: “herói do povo não tem nome em avenida, nem estátua”. Portanto, o espetáculo mostra, àqueles que acreditam que fazer a História é privilégio dos poderosos, que todos podem mudar o curso do que já está instituído. Deste modo, os personagens da peça permitem-se uma exaltação popular quando invertem os heróis, como no caso (também contado pelos operários) de Nêgo Leléu, capoeirista negro que vinga a morte da mãe biológica de sua filha de criação (que finalmente tinha podido escolher o que comer, quando aprendeu a pescar), assassinada covardemente por brancos. Entretanto, não há simplismos nessa dramaturgia, e logo em seguida é colocada em questão a noção de justiça pelas próprias mãos. Como as resoluções de problemas complexos são construídas a longo prazo, apenas no fim da quarta e última história se vislumbra, em uma canção, uma noção plausível de justiça para os exploradores: pegar ônibus lotado às 5h, pôr filho na escola pública, ganhar um salário mínimo, ficar na fila do SUS, etc. Não coincidentemente, são soluções similares a um projeto de lei (obviamente, nunca aprovado) do senador brasiliense Cristovam Buarque – que obrigaria os políticos a matricularem todos seus filhos em escola pública – e parecem ser a única saída possível (e justa) para o universo retratado. Mais do que punição, trata-se de igualdade de oportunidades. Um horizonte possível, numa peça que exalta o povo, mas não ilude ninguém, e acaba sem nenhum pobre escolhendo o que comer, tal e qual nossa realidade.